Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

AUTOFICÇÃO: ENTRE O ESPETÁCULO E O ESPETACULAR

"2013-07-12 00:00:00"
App\Base\Administrativo\Model\Artigo {#1639
  +table: "artigo"
  +timestamps: false
  +fillable: array:13 [
    0 => "edicao_id"
    1 => "trabalho_id"
    2 => "inscrito_id"
    3 => "titulo"
    4 => "resumo"
    5 => "modalidade"
    6 => "area_tematica"
    7 => "palavra_chave"
    8 => "idioma"
    9 => "arquivo"
    10 => "created_at"
    11 => "updated_at"
    12 => "ativo"
  ]
  #casts: array:14 [
    "id" => "integer"
    "edicao_id" => "integer"
    "trabalho_id" => "integer"
    "inscrito_id" => "integer"
    "titulo" => "string"
    "resumo" => "string"
    "modalidade" => "string"
    "area_tematica" => "string"
    "palavra_chave" => "string"
    "idioma" => "string"
    "arquivo" => "string"
    "created_at" => "datetime"
    "updated_at" => "datetime"
    "ativo" => "boolean"
  ]
  #connection: "mysql"
  #primaryKey: "id"
  #keyType: "int"
  +incrementing: true
  #with: []
  #withCount: []
  #perPage: 15
  +exists: true
  +wasRecentlyCreated: false
  #attributes: array:35 [
    "id" => 4289
    "edicao_id" => 14
    "trabalho_id" => 206
    "inscrito_id" => 497
    "titulo" => "AUTOFICÇÃO: ENTRE O ESPETÁCULO E O ESPETACULAR"
    "resumo" => "No circuito da ficção brasileira contemporânea, há um enorme contingente de relatos em primeira pessoa que, de alguma forma, apontam para a figura extratextual do autor, operando uma autorreflexividade identificada em diferentes escalas, fenômeno que, vale ressaltar, se propaga também na literatura estrangeira atual. Só como exemplo de publicações nacionais que ocupam a primeira década do século XXI, obras como O autor mente muito (2001), de Carlos Sussekind e Francisco Daudt da Veiga, Nove noites (2002), de Bernardo Carvalho, Budapeste (2003), de Chico Buarque, Berkeley em Bellagio (2003) e Lorde (2004), de João Gilberto Noll, O falso mentiroso: memórias (2004), de Silviano Santiago, Joana a contragosto (2005), de Marcelo Mirisola, A chave de casa (2007), de Tatiana Salem Levy, Retrato desnatural (diários 2004-2007) (2008), de Evando Nascimento, e Ribamar (2010), de José Castello, lançam mão, cada uma a seu modo, de estratégias autorreflexivas em suas urdiduras, franqueando uma mútua permeabilidade entre autor e narrador. Encontramos aí desde a presença, em maior ou menor grau, de marcas autorais (como ocorre em todos esses romances), até sutis jogos especulares que visam a pôr em xeque a autoridade autoral daquele que assina a obra (é o caso especialmente de Budapeste). Uma parte expressiva da crítica literária atual designa essas obras como “autoficção”, adotando o termo registrado por Serge Doubrovsky na quarta capa de sua obra Fils, publicada em 1977, e considerada uma espécie de resposta a uma das casas cegas do quadro classificatório elaborado por Philippe Lejeune, teórico das escritas do eu. Em consonância com a proposta deste simpósio, que prevê, dentre outras abordagens possíveis envolvendo as “Histórias e formas do romance”, a consideração “[d]a ficcionalização de si e da condição do próprio romancista como personagem de muitas narrativas do presente”, proponho a discussão das seguintes questões: 1) superada a cisão dualista verdade x ficção, alçada ao umbral da indecidibilidade, que implicações decorrem dessas interrelações para a construção identitária da voz em primeira pessoa?; 2) que efeitos produzem nas categorias autor e narrador essa referencialidade inscrita no interior da ficção?; 3)  que reflexões podemos extrair do paradoxo que envolve as obras autoficcionais, paradoxo que abarca as discussões recentes envolvendo, de um lado, a crítica do sujeito pleno, cartesiano, e, de outro lado, o impulso narcisista votado à exposição da intimidade, alimentado pela economia do espetáculo?; e 4)  tendo na mira as obras autoficcionais, que (provisórias) conclusões podem ser formuladas ao nos interrogarmos “sobre a permanência e transformação do estatuto do gênero [romance] na contemporaneidade”? O presente estudo será subsidiado por pensadores como Philippe Lejeune, Leonor Arfuch, Michel Foucault, Norbert Elias, Guy Debord, dentre outros."
    "modalidade" => null
    "area_tematica" => null
    "palavra_chave" => null
    "idioma" => null
    "arquivo" => "Completo_Comunicacao_oral_idinscrito_497_90d8a0133afd9d53f410438df02316a1.pdf"
    "created_at" => "2020-05-28 15:52:50"
    "updated_at" => "2020-06-10 13:11:26"
    "ativo" => 1
    "autor_nome" => "FABÍOLA SIMÃO PADILHA TREFZGER"
    "autor_nome_curto" => "FABÍOLA PADILHA"
    "autor_email" => "fabiolapadilha@uol.com.br"
    "autor_ies" => "UFMG"
    "autor_imagem" => ""
    "edicao_url" => "anais-abralic-internacional"
    "edicao_nome" => "Anais ABRALIC Internacional"
    "edicao_evento" => "XIII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada"
    "edicao_ano" => 2013
    "edicao_pasta" => "anais/abralic/2013"
    "edicao_logo" => "5e48acf34819c_15022020234611.png"
    "edicao_capa" => "5f17347012303_21072020153112.jpg"
    "data_publicacao" => null
    "edicao_publicada_em" => "2013-07-12 00:00:00"
    "publicacao_id" => 12
    "publicacao_nome" => "Revista ABRALIC INTERNACIONAL"
    "publicacao_codigo" => "2317-157X"
    "tipo_codigo_id" => 1
    "tipo_codigo_nome" => "ISSN"
    "tipo_publicacao_id" => 1
    "tipo_publicacao_nome" => "ANAIS de Evento"
  ]
  #original: array:35 [
    "id" => 4289
    "edicao_id" => 14
    "trabalho_id" => 206
    "inscrito_id" => 497
    "titulo" => "AUTOFICÇÃO: ENTRE O ESPETÁCULO E O ESPETACULAR"
    "resumo" => "No circuito da ficção brasileira contemporânea, há um enorme contingente de relatos em primeira pessoa que, de alguma forma, apontam para a figura extratextual do autor, operando uma autorreflexividade identificada em diferentes escalas, fenômeno que, vale ressaltar, se propaga também na literatura estrangeira atual. Só como exemplo de publicações nacionais que ocupam a primeira década do século XXI, obras como O autor mente muito (2001), de Carlos Sussekind e Francisco Daudt da Veiga, Nove noites (2002), de Bernardo Carvalho, Budapeste (2003), de Chico Buarque, Berkeley em Bellagio (2003) e Lorde (2004), de João Gilberto Noll, O falso mentiroso: memórias (2004), de Silviano Santiago, Joana a contragosto (2005), de Marcelo Mirisola, A chave de casa (2007), de Tatiana Salem Levy, Retrato desnatural (diários 2004-2007) (2008), de Evando Nascimento, e Ribamar (2010), de José Castello, lançam mão, cada uma a seu modo, de estratégias autorreflexivas em suas urdiduras, franqueando uma mútua permeabilidade entre autor e narrador. Encontramos aí desde a presença, em maior ou menor grau, de marcas autorais (como ocorre em todos esses romances), até sutis jogos especulares que visam a pôr em xeque a autoridade autoral daquele que assina a obra (é o caso especialmente de Budapeste). Uma parte expressiva da crítica literária atual designa essas obras como “autoficção”, adotando o termo registrado por Serge Doubrovsky na quarta capa de sua obra Fils, publicada em 1977, e considerada uma espécie de resposta a uma das casas cegas do quadro classificatório elaborado por Philippe Lejeune, teórico das escritas do eu. Em consonância com a proposta deste simpósio, que prevê, dentre outras abordagens possíveis envolvendo as “Histórias e formas do romance”, a consideração “[d]a ficcionalização de si e da condição do próprio romancista como personagem de muitas narrativas do presente”, proponho a discussão das seguintes questões: 1) superada a cisão dualista verdade x ficção, alçada ao umbral da indecidibilidade, que implicações decorrem dessas interrelações para a construção identitária da voz em primeira pessoa?; 2) que efeitos produzem nas categorias autor e narrador essa referencialidade inscrita no interior da ficção?; 3)  que reflexões podemos extrair do paradoxo que envolve as obras autoficcionais, paradoxo que abarca as discussões recentes envolvendo, de um lado, a crítica do sujeito pleno, cartesiano, e, de outro lado, o impulso narcisista votado à exposição da intimidade, alimentado pela economia do espetáculo?; e 4)  tendo na mira as obras autoficcionais, que (provisórias) conclusões podem ser formuladas ao nos interrogarmos “sobre a permanência e transformação do estatuto do gênero [romance] na contemporaneidade”? O presente estudo será subsidiado por pensadores como Philippe Lejeune, Leonor Arfuch, Michel Foucault, Norbert Elias, Guy Debord, dentre outros."
    "modalidade" => null
    "area_tematica" => null
    "palavra_chave" => null
    "idioma" => null
    "arquivo" => "Completo_Comunicacao_oral_idinscrito_497_90d8a0133afd9d53f410438df02316a1.pdf"
    "created_at" => "2020-05-28 15:52:50"
    "updated_at" => "2020-06-10 13:11:26"
    "ativo" => 1
    "autor_nome" => "FABÍOLA SIMÃO PADILHA TREFZGER"
    "autor_nome_curto" => "FABÍOLA PADILHA"
    "autor_email" => "fabiolapadilha@uol.com.br"
    "autor_ies" => "UFMG"
    "autor_imagem" => ""
    "edicao_url" => "anais-abralic-internacional"
    "edicao_nome" => "Anais ABRALIC Internacional"
    "edicao_evento" => "XIII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada"
    "edicao_ano" => 2013
    "edicao_pasta" => "anais/abralic/2013"
    "edicao_logo" => "5e48acf34819c_15022020234611.png"
    "edicao_capa" => "5f17347012303_21072020153112.jpg"
    "data_publicacao" => null
    "edicao_publicada_em" => "2013-07-12 00:00:00"
    "publicacao_id" => 12
    "publicacao_nome" => "Revista ABRALIC INTERNACIONAL"
    "publicacao_codigo" => "2317-157X"
    "tipo_codigo_id" => 1
    "tipo_codigo_nome" => "ISSN"
    "tipo_publicacao_id" => 1
    "tipo_publicacao_nome" => "ANAIS de Evento"
  ]
  #changes: []
  #classCastCache: []
  #dates: []
  #dateFormat: null
  #appends: []
  #dispatchesEvents: []
  #observables: []
  #relations: []
  #touches: []
  #hidden: []
  #visible: []
  #guarded: array:1 [
    0 => "*"
  ]
}
Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

No circuito da ficção brasileira contemporânea, há um enorme contingente de relatos em primeira pessoa que, de alguma forma, apontam para a figura extratextual do autor, operando uma autorreflexividade identificada em diferentes escalas, fenômeno que, vale ressaltar, se propaga também na literatura estrangeira atual. Só como exemplo de publicações nacionais que ocupam a primeira década do século XXI, obras como O autor mente muito (2001), de Carlos Sussekind e Francisco Daudt da Veiga, Nove noites (2002), de Bernardo Carvalho, Budapeste (2003), de Chico Buarque, Berkeley em Bellagio (2003) e Lorde (2004), de João Gilberto Noll, O falso mentiroso: memórias (2004), de Silviano Santiago, Joana a contragosto (2005), de Marcelo Mirisola, A chave de casa (2007), de Tatiana Salem Levy, Retrato desnatural (diários 2004-2007) (2008), de Evando Nascimento, e Ribamar (2010), de José Castello, lançam mão, cada uma a seu modo, de estratégias autorreflexivas em suas urdiduras, franqueando uma mútua permeabilidade entre autor e narrador. Encontramos aí desde a presença, em maior ou menor grau, de marcas autorais (como ocorre em todos esses romances), até sutis jogos especulares que visam a pôr em xeque a autoridade autoral daquele que assina a obra (é o caso especialmente de Budapeste). Uma parte expressiva da crítica literária atual designa essas obras como “autoficção”, adotando o termo registrado por Serge Doubrovsky na quarta capa de sua obra Fils, publicada em 1977, e considerada uma espécie de resposta a uma das casas cegas do quadro classificatório elaborado por Philippe Lejeune, teórico das escritas do eu. Em consonância com a proposta deste simpósio, que prevê, dentre outras abordagens possíveis envolvendo as “Histórias e formas do romance”, a consideração “[d]a ficcionalização de si e da condição do próprio romancista como personagem de muitas narrativas do presente”, proponho a discussão das seguintes questões: 1) superada a cisão dualista verdade x ficção, alçada ao umbral da indecidibilidade, que implicações decorrem dessas interrelações para a construção identitária da voz em primeira pessoa?; 2) que efeitos produzem nas categorias autor e narrador essa referencialidade inscrita no interior da ficção?; 3) que reflexões podemos extrair do paradoxo que envolve as obras autoficcionais, paradoxo que abarca as discussões recentes envolvendo, de um lado, a crítica do sujeito pleno, cartesiano, e, de outro lado, o impulso narcisista votado à exposição da intimidade, alimentado pela economia do espetáculo?; e 4) tendo na mira as obras autoficcionais, que (provisórias) conclusões podem ser formuladas ao nos interrogarmos “sobre a permanência e transformação do estatuto do gênero [romance] na contemporaneidade”? O presente estudo será subsidiado por pensadores como Philippe Lejeune, Leonor Arfuch, Michel Foucault, Norbert Elias, Guy Debord, dentre outros.

Compartilhe:

Visualização do Artigo


Deixe um comentário

Precisamos validar o formulário.