Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

OS RECURSOS CÊNICOS E A MULTIMIDIALIDADE NO TEATRO POLÍTICO DO CPC: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE BRASIL, VERSÃO BRASILEIRA, DE VIANINHA

Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

Atualmente, muito se discute a questão da multimidialidade no contexto da disseminação da informação digital na era da internet, com o uso de conceitos como o de hipertexto. Contudo, na tradição do teatro político produzido no Brasil a partir de meados do século XX, as relações entre cena e diferentes artefatos midiáticos foram utilizadas como recursos formais no processo de rompimento da primazia das relações intersubjetivas, ou seja, como rompimento do presente contínuo que se desenrolava diante dos olhos dos espectadores. Piscator já utilizava, nos anos 1920, projeções cinematográficas que impediam a criação da ilusão cênica, trabalhando com o conceito de sujeitos coletivos em cena. Além disso, na tradição do teatro político de matriz épica brechtiana, cartazes e projeções em cena podem ser vistos também no contexto da multimidialidade, pois não são acessórios em relação ao que se encena, mas têm função independente, crítica, com o intuito de construir contradições que impeçam a identificação psicológica. Ao pleitear um teatro genuinamente político, identificado com a conscientização das massas e a propagação de uma arte nacional, popular e engajada, o Centro Popular de Cultura da UNE apropriou-se de recursos cênicos, muitas vezes anti-ilusionistas, com o objetivo primordial de garantir o pretendido efeito didático. A utilização de projeções em suas peças, como é notável em Brasil - versão brasileira, evidencia um rompimento com a ilusão cênica bem como uma quebra com a dramaticidade da peça que o faz comunicar-se com o teatro épico, compondo parte do processo de consolidação de um teatro moderno no Brasil. A análise da utilização desses elementos, considerando sua relação com o contexto político e social pelo qual passava o Brasil dentre os anos de 1961 e 1964, evidencia que a crítica do teatro cepecista não deve delimitar suas considerações pautando-se apenas pela produção teórica do grupo, responsável pela caracterização do CPC como panfletário, mas sim debatidas dialeticamente enquanto parte do processo de modernização de nosso teatro, dado o contexto político e social pelo qual passava o Brasil.

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