Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

CIDADE DE DEUS: UMA OBRA DISSONANTE.

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Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

Este trabalho traça um paralelo entre personagens de Cidade de Deus, livro publicado por Paulo Lins (1997) e o filme homônimo dirigido por Fernando Meirelles (2002), focalizando o escritor dissonante e a repercussão de sua obra literária em outra mídia pela análise das personagens. A fundamentação teórica encontra-se em textos críticos acadêmicos e da mídia impressa e eletrônica de críticos literários como Roberto Schwarz, Lúcia Nagib e Ivana Bentes e críticos jornalísticos, como Marcelo Janot. Para melhor pontuar o tema, foi selecionado o fragmento inicial do filme de cinco minutos e a cena de número trinta (1:52h – 1:55h) conhecida como “a cena da galinha”, correspondente às páginas 258-260 do livro, ali intitulada como “a cena do galo”. Trata-se de narrativa circular representativa do mundo caótico e fragmentário evocado na ficção na qual as personagens, em sua maioria com nomes de coisas ou marcas, são marcadas pela dissolução de suas identidades devido a sua reificação. O efeito inverso, de humanização das personagens animais, pode ser interpretado como uma das causas das críticas negativas às obras, que ressaltou o caráter dissonante do autor em relação aos status quo de representação da realidade suburbana. Há, também, muitas personagens carismáticas que, mesmo sendo em sua maioria planas, têm a característica de serem altamente verossímeis, provocando uma grande identificação do público/leitor com elas. Devido à adaptação, na obra fílmica o personagem-narrador Buscapé atua como uma espécie de alter ego do cineasta e atua como um mediador entre a sociedade de dentro e de fora da favela, resultando em discursos diferentes dos presentes no livro. As obras apresentam um mosaico bastante completo de tipos e figuras presentes naquela realidade, sendo que a linguagem por elas utilizada mimetiza a fala cotidiana dos ali habitantes presentes, resultando em um efeito estético em que transparecem a dureza, a violência das relações, e a frieza entre seres humanos em locais onde há falta de praticamente tudo que seja essencial para o desenvolvimento de uma sociedade humanizada. As críticas e estranhamentos se deram, principalmente, no público/leitor de classe média que esperava uma reflexão ou uma emissão de juízo acerca daquela realidade. A ausência dessa reflexão crítica se deu pelo fato das obras serem como radiografias ou retratos daquela realidade. Isso resultou em um poderoso e moderno diálogo entre o espectador/leitor que se acreditava distante daquela realidade chocante, mas que se viu muito próximo a ela. O que se encontra é a “impressão de realidade” mais do que um “efeito realista”, muito análogo à catarse ilusionista do cinema norte-americano ou a linguagem dos videoclipes, sem a preocupação da discussão dos conflitos, mas com a função de entretenimento. Como “nenhum discurso é proferido vazio” (BAKHTIN: 2003), Cidade de Deus, obra literária e cinematográfica, levanta muitos questionamentos, sendo considerada uma obra cult por muitos, não conseguindo, porém, passar despercebida, sendo digna de ser analisada como obra questionadora de seu tempo e de sua sociedade.

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