Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

LITERATURA COMPARADA, EXPERIÊNCIA DE LEITURA COMPARTILHADA

Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

É amplamente significativo que o ensino de literatura possa ser pensado dentro da teoria e da crítica literária, não apenas no âmbito da educação. Longe de qualquer demérito em relação a essa área, trata-se, antes, do reconhecimento de certa fragilidade nos estudos literários, em que o ensino pouco é tomado como objeto de pesquisas e preocupações. Como Chiappini, acreditamos que “problematizar o objeto e os métodos da teoria literária deveria levar também a problematizar seu ensino, não só no plano dos conteúdos, mas formalmente, enquanto processo” (2005, p.233). Assim, tendo o ensino como objeto legítimo da crítica, consideramos que a perspectiva comparatista pode oferecer uma possibilidade exemplar de pensar o texto literário no complexo cenário da educação na contemporaneidade. Para esta comunicação, refletimos sobre o ensino de literatura primordialmente a partir do leitor, dos diversos leitores que dialogam no contexto do Ensino Médio: os estudantes, os professores, além dos críticos literários e autores de livro didático. Cada um dos grupos mencionados, independente de sua esfera de atuação ou de se seu grau de reconhecimento social, está marcado, primordialmente, pela condição de leitor, por sua capacidade de receber um texto em condições que se afastam, no tempo e no espaço, do contexto original de publicação de uma determinada obra. Nesse sentido, o que pretendemos discutir nesta comunicação é a necessidade de que os diversos grupos de leitores possam ter um reconhecimento, não apenas técnico, mas também (e fundamentalmente) simbólico, da sua condição de agente na construção de sentido de um texto. Apenas assim será possível haver uma discussão real sobre textos e livros em sala de aula, em que os diversos leitores não se sintam obrigados a se calarem sobre suas experiências de leitura simplesmente por considerarem que elas são “menores” em relação a leituras já sancionadas. Com a igualdade da condição de leitor, pode-se estabelecer um diálogo verdadeiro sobre literatura, permitindo que ela exerça sua função formativa, aquela de caráter amplo e pouco normativo, tão reforçada no discurso e tão pouco colocada em prática no cotidiano das escolas (e até mesmo das universidades).

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