Artigo Anais IV CONEDU

ANAIS de Evento

ISSN: 2358-8829

LITERAFRO: UM ESTUDO SOBRE COMO INSERIR A LITERATURA NEGRA EM SALA DE AULA

Palavra-chaves: CULTURA AFRO-BRASILEIRA, LITERATURA NEGRA NA ESCOLA, ABORDAGEM ÉTNICO-RACIAL Comunicação Oral (CO) GT 06 - Educação e Relações Étnico-Raciais
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Publicado em 19 de dezembro de 2017

Resumo

Tendo em vista que a compreensão média em relação a literatura negra afro-brasileira indica que a mesma é uma manifestação da minoria, que há muito tempo foi excluída pela elite social, a qual prioriza a literatura erudita, necessitamos trazer em tela e em cena essa vertente literária demonstrando a sua qualidade estética e cultural para o reconhecimento da nossa própria identidade enquanto sujeito e coletivo. Assim, o presente trabalho objetiva realizar uma proposta para o ensino de literatura negra na escola, abarcando contextos culturais e sociais de suma importância para o trabalho em sala de aula e a construção de saberes dos educandos em relação a cultura afro. Nesse sentido, apresentaremos uma proposta, seguida de um plano de aula, baseando-se na sequência didática oferecida por Rildo Cosson (2009) de como é possível trabalhar questões étnicos raciais a partir da leitura do texto literário, especificamente a poesia de Solano Trindade (1961), visando quão significativo é abordar temáticas que respaldem diversas manifestações culturais, considerando o fato de que o Brasil é o país da miscigenação com forte influência da cultura africana. Visto que a questão da identidade racial ainda é muito polêmica e geradora de preconceito, mesmo num país mestiço como o Brasil em que 53% da população se autodeclara pardo ou negro, será versado sobre a escassez da abordagem de valorização da cultura afro-brasileira e africana no ambiente escolar. Dessa forma, será ressaltada e proposta a importância e a necessidade de que se tenha um ensino de tais culturas a partir das aulas de literatura, seja no Ensino Fundamental ou Médio. No entanto, sabe-se que a identidade negra desde sempre foi posta à margem da sociedade em todos os contextos, inclusive na educação, deixando uma lacuna na construção identitária brasileira. Para minimizar essa exclusão, historicamente promovida da literatura e cultura afro no Brasil, o estado oferece políticas públicas de inclusão e efetivação dos direitos sociais, o que pode ser verificada a partir do exemplo de legislação que trata da obrigatoriedade de se trabalhar textos de origem afro-brasileira em sala de aula. Os PCN’s de Pluralidade Cultural propõem orientações para que a escola fomente o conhecimento cultural em relação aos mais diferentes grupos, com o objetivo de minimizar as segregações sociais e raciais. Nesse caso, será versado sobre a necessidade de haver mais profissionais que voltem seu olhar para a construção literária afro, já que a mesma se configura como expoente e mecanismo de atribuição de voz de grupos excluídos socialmente e que, por meio dos próprios sujeitos, narram as suas experiências de vida enquanto sujeito individual e coletivo imersos numa sociedade que ainda preza pela exclusão.

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