ONGANDA: A TERRA COMO "CASA"
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A escrita epistolar de Carvalho – que compõe o seu diário de campo ao modo de um relato de viagem - é resultado de transcrições de fitas cassete gravadas durante a travessia da fronteira e que serviriam como guia a um amigo jornalista da BBC de Londres, seu atrasado companheiro de viagem que nunca chegaria. Nesse sentido, as transcrições de Carvalho se destinam à ficcionalidade dessa interlocução, bem como atendem ao preceito da etnografia moderna que enxerga o mundo como uma diversidade epistêmica de culturas em contato, sendo que a própria etnografia consiste em uma pluralidade de perspectivas e formas de tradução e escrita. Os pastores kuvale correspondem ao que há de mais remoto no imaginário angolano, são os mucubais marginalizados pela sociedade e pelo Estado, povos fora da geografia e da história. A partir desse pressuposto, argumentarei que a narrativa movente de Carvalho, ao tirar essa exclusão da invisibilidade, propõe uma crítica do contrato social vigente em Angola desde o período colonial, sendo que essa crítica não é meramente tropológica e pedagógica tal como defende Osvaldo Manuel Silvestre no artigo "Ruy Duarte de Carvalho ou do contrato social II" (2008), mas visa a pactuação necessária com o que Carvalho chama de atualidade do arcaico, com a “inovação social e económica” que representam os “sistemas milenares” (CARVALHO, 1999, p. 274-276). Interessa-me, sobretudo, discutir essa perspectiva a partir do conceito kuvale de onganda, palavra bantu traduzida ao português como casa. 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