Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

COM QUE TEXTO VOU À AULA? REFLEXÕES SOBRE AS ESCOLHAS LITERÁRIAS EM CONTEXTO ESCOLAR

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Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

Discute-se, neste artigo, a seleção de textos como ação pedagógica fundamental na construção de uma abordagem escolar da literatura comprometida com a formação do leitor. Argumenta-se que o docente, ao ser sujeito das escolhas literárias, o que pressupõe um professor-leitor, terá mais possibilidade de formular seus próprios caminhos de abordagem da literatura, considerando não apenas os estudos literários previstos nos livros didáticos, mas também outros fatores do contexto de ensino, tais como: objetivos de leitura antenados com a apropriação estética e cultural das obras, o repertório sociocultural dos alunos, e, não menos importante, o exercício teórico e crítico do professor no âmbito de leituras literárias efetivas. Sendo assim, reflete-se sobre a formação do professor-leitor sob dois ângulos principais. No primeiro, vincula-se essa formação ao reconhecimento de que não se deve reduzir a literatura aos limites preconizados pelo currículo. Ao invés disso, a leitura literária deve engendrar uma experiência na qual vida e obra se articulem não de maneira domesticada pelas vozes autorizadas do saber, mas de modo criativo e pessoal, tendo em vista o trabalho interpretativo de quem lê. No segundo, transpondo essa compreensão para a prática de ensino, discute-se a relação entre a formação do professor-leitor e a formação de leitores por esse professor, elegendo a seleção literária como lugar privilegiado desse debate. É a partir da concepção de leitura literária como experiência (BENJAMIN, 1975; LARROSA, 2002; KEFALÁS, 2012) que o docente poderá, com sua vivência íntima com a literatura, dividir com seus alunos sua própria felicidade de ler (PENNAC, 2011) e orientá-los na indagação sobre o literário, por meio dos instrumentos teóricos e metodológicos de que dispõe, dentre os quais se destacam a estética da recepção (JAUSS, 2011; AGUIAR & BORDINI, 1988) e a literatura comparada (CARVALHAL, 2006), rumo à leitura que, sem negligenciar os protocolos de leitura de uma comunidade cultural (LAJOLO, 2002), acolha também o tateio singular nos textos. Portanto, compreende-se que é entre a leitura como fruição – ou de entretenimento, nos termos de Cosson (2009) e Soares (2009) – e a leitura enquanto reflexão estética e cultural, que é possível efetuar uma seleção literária capaz de, senão despertar o gosto pela leitura, já que prazer não se ensina, descobre-se (SOARES, 2009), ao menos construir condições mais férteis de apropriação do universo da literatura pelos alunos. O texto é finalizado com a apresentação de uma proposta didática cujo objetivo é menos fornecer um “modelo” pertinente de ensino do literário do que discutir os pressupostos teóricos e metodológicos que presidem as escolhas literárias que têm na perspectiva comparatista e recepcional alguns de seus pilares de sustentação.

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