Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

BALÕES VERMELHOS E BEXIGAS: FRAGILIDADE E SUPERPROTEÇÃO DO CORPO INFANTIL NA MANUTENÇÃO DO MEDO DA MORTE EM OLHINHOS DE GATO

Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

Olhinhos de Gato, narrativa de natureza autobiográfica de Cecília Meireles, traz as memórias de infância da autora transfiguradas poeticamente a partir da escrita literária. São narradas as vivências da frágil órfã Olhinhos de Gato, que vive com sua avó Boquinha de Doce, a negra Dentinho de Arroz e Maria Maruca, moça que ajuda nos afazeres domésticos. Circundada pelas lembranças e objetos dos pais e irmãos falecidos (todos por doença) a menina que “Graças a Deus escapou!” é protegida de todo tipo de mal, por ter saúde frágil. Buscamos nesse trabalho examinar, a partir da leitura em profundida da narrativa, a possibilidade de que a superproteção dos adultos possa interferir substancialmente na relação dessa personagem com a morte e sua experiência da vida, uma vez que Olhinhos de gato é uma menina enferma. Traremos para nosso estudo, como suporte teórico leituras relacionadas à narrativa da doença (SONTAG, 2007; KLEINMAN, 1988; CHARON 2004, 2005 e 2011, dentre outros) e observaremos em que moldes se dá, nessa narrativa, o cuidado da criança doente, os espaços que ela ocupa nos momentos de fragilidade e dor, a representação dos sintomas, e de que forma essas atitudes colaboram para a manutenção de costumes (lembremos que a realidade que figura na narrativa é a das primeiras décadas do século XX no Brasil) que relacionam a doença à sujeira e à morte, palavra e presença interdita na narração. A partir dessas considerações será possível perceber que os cuidados dos adultos cerceiam a liberdade de trânsito da criança, restringindo intensamente o contato com seus iguais, além da sustentação de uma atmosfera de morbidade que incentiva o medo aterrorizante que a morte possa atingir a própria criança e os entes queridos a sua volta.

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