Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

BIOGRAFEMAS HOMOCULTURAIS DE EVA PERÓN

Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

David William Foster (1999) ressalta, dentre as várias configurações assumidas pelo ícone de Eva Perón no imaginário social do Rio de la Plata, a sua identificação como figura de proa para a cena LGBTs no período pós-ditatorial. Entrelaçada a uma experiência coletiva, a mulher se desvela um “ícone da inscrição da Argentina no texto da modernidade periférica”, conforme lembra Susana Rosano (2005). A dicção homoerótica impressa na biografia da primeira dama, intitulada 'Evita fuera del balcón' (1981), e no livro memorialístico 'La cabeza contra el suelo' (1975), ambos produzidos pelo estilista de Evita, Paco Jamandreu, bem como nas representações biográficas, históricas e/ou literárias da líder peronista, elaboradas por Blás Matamoro, Juan José Sebreli, Manuel Puig, María Helena Walsh, Néstor Perlonghi, Osvaldo Lamborghini e Raúl Damonte Botana (Copi) durante os anos de 1960/1970, parece mesmo fascinar-se pelas ambivalências do fetiche que o nome de Eva evoca e pela face camp da atriz a se desempenhar nos palcos do poder, reafirmando uma “singular e específica relação entre política e homossexualidade”, segundo afirma Tomás Eloy Martínez em seu romance 'Santa Evita' (1995). Nesse âmbito, e com base em metodologia qualitativa fundamentada em pesquisa bibliográfica que privilegia as esferas biográfica e literária, buscamos estudar as “pequenas histórias” (Cf. ARENDT, 1993) viabilizadas sob a forma de biografemas (Cf. BARTHES, 1971) homoculturais na citada obra literária de Martínez e nas memórias de Jamandreu. Analisados como expressões diversificadas - de um lado, o sujeito produtor masculino desvestido de preconceitos; de outro lado, a subjetividade autoral homoafetiva -, esses textos permitem apresentar como resultado principal a função determinante de autores, personagens e seres históricos gays na elaboração e consolidação da imagem pública de Evita/Eva Duarte-Perón. Por fim, concluímos pela articulação entre os biografemas fornecidos pelo corpus em análise, a modernização estética platina e a instauração/difusão do mito evitista na homocultura.

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