Artigo Anais IV SINALGE

ANAIS de Evento

ISSN: 2527-0028

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RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA E REFORMULAÇÃO DO DISCURSO DO OUTRO NO GÊNERO ARTIGO CIENTÍFICO: UM ESTUDO SOBRE O PARAFRASEAMENTO EMPREGADO POR PESQUISADORES INICIANTES E EXPERIENTES NAS CITAÇÕES POR “D

Palavra-chaves: RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA, DISCURSO DO OUTRO, PARÁFRASE, DISCURSO INDIRETO, DISCURSO INDIRETO Comunicação Oral (CO) GT16-GÊNEROS DISCURSIVO E/OU TEXTUAL: ENSINO/APRENDIZAGEM Publicado em 27 de abril de 2017

Resumo

Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa em andamento no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq/UERN – cota 2016-2017), cujo objetivo geral consiste em estudar, no gênero artigo científico, as estratégias de reformulação do discurso do outro mobilizadas por pesquisadores iniciantes e experientes pelo uso da paráfrase, através das marcas de discurso indireto (DI) e de modalização em discurso segundo (MDS ou mediativo). Especificamente, pretendemos: (i) identificar os contextos linguísticos em que os autores mobilizam o discurso do outro por meio do DI e da MDS; (ii) descrever e interpretar as estratégias de reformulação parafrástica do conteúdo do discurso do outro nas citações por DI e MDS; e (iii) discutir sobre os efeitos de sentido decorrentes do parafraseamento praticado e do posicionamento enunciativo assumido pelos pesquisadores iniciantes e experientes em relação ao discurso do outro no texto acadêmico-científico. O corpus da pesquisa constitui-se de artigos científicos produzidos por pesquisadores iniciantes e experientes, coletados em periódicos especializados da área de Letras, sendo disponíveis para livre acesso em versão on-line. O aporte teórico adotado advém dos estudos de Adam (2011, 2010), filiando-se à Análise Textual dos Discursos (ATD), em diálogo com autores situados no campo dos estudos enunciativos, tais como Guentchéva (1994), Rabatel (2009, 2010, 2013), Authier-Revuz (1990, 1998, 2004, 2008, 2011), além de considerar a noção de paráfrase, tal como ela é empregada nos estudos de Hilgert (2002, 2006), bem como a abordagem de gêneros do discurso, conforme Bakhtin (2011). Diante das nossas análises iniciais, percebemos que o DI e a MDS são mobilizados em contextos linguísticos que, apoiados em Rabatel (2013), denominamos de “responsabilização compartilhada”, consistindo em situações nas quais o autor do texto (primeiro locutor-enunciador – L1/E1) imputa pontos de vista (PdV) a outros enunciadores, em seguida manifesta um posicionamento de acordo. Conforme as ocorrências analisadas preliminarmente, verificamos que os pesquisadores iniciantes, em comparação com os mais experientes, empregam com maior frequência a estratégia de adesão ao conteúdo proposicional dos PdV atribuídos a outrem, sendo que o parafraseamento praticado por ambos os pesquisadores sugere também adesão às palavras dos autores citados. Desse modo, evidencia-se o chamado “paralelismo parafrástico”, aquele tipo em que o trecho reformulado exibe uma dimensão sintática semelhante à de sua matriz, com alterações mínimas, tais como substituição de palavras, alternação da ordem dos constituintes sintáticos da proposição-enunciada, entre outras. Esses resultados são sugestivos de um tipo de diálogo instaurado com o discurso do outro no texto acadêmico-científico em que o L1/E1 mostra-se favorável no plano conteúdo e das palavras, construindo um laço de responsabilização na materialidade do seu próprio dizer. Ao serem colocados em debate no meio acadêmico, tais resultados podem servir de base para (re)pensarmos diferentes direcionamentos para o ensino da escrita científica, visando os diferentes gêneros de discurso elaborados nessa esfera da atividade humana e considerando, em particular, a formação inicial do professor pesquisador.

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