Artigo Anais IV SINALGE

ANAIS de Evento

ISSN: 2527-0028

O GÊNERO DISCURSIVO REPORTAGEM IMPRESSA, O PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS E O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UM OLHAR ENUNCIATIVO

Palavra-chaves: DISCURSO, REPORTAGEM IMPRESSA, MORFOLOGIA Comunicação Oral (CO) GT16-GÊNEROS DISCURSIVO E/OU TEXTUAL: ENSINO/APRENDIZAGEM Publicado em 27 de abril de 2017

Resumo

A aglutinação, processo de formação de palavras, está sendo definida através dos campos fonológicos e morfológicos. Na nossa concepção, observá-la estritamente por esses prismas resume sua potencialidade constitutiva, assim como não abrange algumas de suas nuances, visto que são marginalizados os fatos discursivos, próprios da língua. À luz de Nóbrega (2016), há, por sua vez, a (des)aglutinação sintático-semântico-discursiva. Considerando as sugestões de mudança advindas com o surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) no concernente ao ensino do português, o artigo aqui proposto teve como objetivo geral apresentar uma proposta didática sobre o gênero reportagem impressa, observando como funciona o processo de formação de palavra aglutinação. Para tal propósito, recorremos ao construto teórico defendido por Bakhtin/Volochinov (1981, 1926), Bakhtin (2003), além de pesquisadores do pensamento linguístico do Círculo de Bakhtin. Na nossa metodologia, foi seguida a classificação proposta por Lakatos (2012) em relação à modalidade e tipos, sendo possível considerar: a área da ciência, a natureza, os objetivos, os procedimentos, o objeto e a forma de abordagem. No que diz respeito à modalidade, pode-se afirmar que nossa pesquisa é teórico-analítica, uma vez que atualiza o conceito de aglutinação sintático-discursiva proposto por Nóbrega (2006). Referentemente ao tipo de pesquisa, considerando nossos objetivos, pontua-se que ela é descritiva, visto que a aglutinação e a desaglutinação sintático-semântico-discursiva foram observadas, registradas, analisadas e interpretadas. Por sua vez, também é explicativa, pois foram identificados fatores que propiciam a ocorrência do fenômeno analisado na reportagem. Já quanto à forma de abordagem, nosso trabalho é qualitativo, pois há o perfil descritivo, tendo a preocupação em interpretar o fenômeno e não com a quantidade relativa à sua ocorrência. Por outro lado, nossos dados foram analisados indutivamente, havendo a interpretação do fenômeno e a atribuição dos significados. Nosso corpus foi composto por 10 reportagens impressas da Revista Veja, publicadas no período de 2016 a 2017 e pesquisadas no site . Com base na proposta didática realizada, constatou-se que a aglutinação sintático-semântico-discursiva é um processo de origem enunciativa delineado socialmente, configurando-se a partir do diálogo entre interlocutores. Esse fenômeno se realiza através de um lugar, que pode ser preenchido no plano da organicidade (sintaxe) ou simplesmente ocultado (efeito de sentido), entretanto, perceptível no plano do enunciável, possibilitando a construção de um saber de entremeio. Saber esse que se pauta na relação entre o linguístico e o discursivo, assim como assinalou Dias (2010). Com isso, foi apresentada às definições de aglutinação, existentes nas gramáticas, que permeiam nossos circuitos de aprendizagem, uma alternativa teórico-discursiva, ampliando o horizonte conceitual desse instigante fenômeno.

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