Artigo Anais IV SINALGE

ANAIS de Evento

ISSN: 2527-0028

MADAME BOVARY: A DESCONSTRUÇÃO DO ETERNO FEMININO NA LITERATURA FRANCESA DO SÉCULO XIX

Palavra-chaves: DESCONSTRUÇÃO, FEMINISMO, LITERATURA FRANCESA, FILOSOFIA EXISTENCIALISTA Comunicação Oral (CO) GT04-GÊNEROS DA LITERATURA EM SALA DE AULA Publicado em 27 de abril de 2017

Resumo

Este estudo faz uma análise da obra Madame Bovary do escritor francês Gustave Flaubert e tem como objetivo identificar a desconstrução da figura feminina do século XIX representada na personagem de Emma Bovary. Para tanto, tece comparações entre o modelo de mulher idealizada pela sociedade francesa descrita há quase 100 anos após o lançamento do romance, e as reflexões realizadas pela filósofa existencialista Simone de Beauvoir em seu livro O Segundo Sexo¸ considerada uma autora consagrada para os estudos de gênero. O estudo utiliza como metodologia uma pesquisa bibliográfica a partir da qual expõe uma discussão teórica demonstrando através do Romance uma ruptura com o tradicional que vem desde o iluminismo, desconstruindo uma série de conceitos predeterminados, superando uma série de paradigmas. Esta crítica social em forma de romance vem desmascarar a romantização da condição servil da mulher e a hipocrisia da sociedade burguesa, ilustrada por personagens medíocres, mergulhados em um falso moralismo. Trabalhando essa perspectiva, busca-se compreender o papel da protagonista como crítica social aos valores da época no contexto da estética realista de Flaubert e a influência de ideais a frente de seu tempo, vistos no movimento feminista do século XX, que abrange a luta pela igualdade de direitos civis e trabalhistas. Ninguém jamais havia representado a mulher de forma tão depreciada como Flaubert, e como um espelho da sociedade, esta narrativa vem denunciar a forma como a mulher é tratada, como objeto, sem essência, sem desejos, sem liberdade e sem direitos, resignando assim ao que Simone de Beauvoir conceitua como eterno feminino, ou seja, uma visão que enclausurava a mulher dentro de uma condição própria da sociedade patriarcal. A narrativa mostra-se viva em nossos dias atuais, pois ao que tange a vertente da desigualdade de gênero, muitas coisas ainda precisam mudar. A mulher ainda ocupa o lugar que sempre ocupou na sociedade, e como fatores sócio histórico e culturais, ela ainda resiste em se resignar do que a sociedade para ela forjou.

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