PEDAGOGIA DO SENTIDO COMO FUNDAMENTO DA EDUCAÇÃO EMOCIONAL NO CONTEXTO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORAS/ES: ENTRE SABERES E FAZERES
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Os resultados evidenciaram que a proposta pedagógica inspirada na Pedagogia do Sentido colaborou significativamente para a formação das/os professoras/es, favorecendo o reconhecimento da importância do sentido pessoal na prática educativa e estimulando a capacidade de lidar com desafios emocionais e existenciais. As atividades propostas possibilitaram momentos de reflexão sobre projetos de vida, desenvolvimento da empatia e compreensão do papel transformador da educação. A experiência demonstrou que o espaço-tempo dedicado à educação emocional na formação docente potencializa o desenvolvimento da identidade profissional e a construção de práticas pedagógicas mais humanizadoras. Conclui-se que integrar a Pedagogia do Sentido à formação de professoras/es é uma estratégia potente para fortalecer a dimensão ética, emocional e existencial da docência contemporânea, reafirmando a educação como prática de sentido e transformação." 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Esse movimento não é fortuito: ele responde às complexas demandas de um tempo marcado pela intensificação das vulnerabilidades humanas, pela reconfiguração das práticas educativas e pela necessidade urgente de pensar a formação integral como experiência ética, estética e política. <br />\r\n Em meio a essas tensões, torna-se incontornável reconhecer que a ideologia neoliberal, ao infiltrar-se nos discursos e práticas escolares, tende a mecanizar e tecnicizar o sujeito, reduzindo-o a um conjunto de competências performáticas e mensuráveis. <br />\r\n Nesse contexto, o humano é convocado a alinhar-se a metas, índices e protocolos que desconsideram a densidade afetiva da existência, transformando a escola em espaço de constante vigilância e produtividade. 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Estudantes que não se encaixam no modelo idealizado, seja por trajetórias diversas, ritmos distintos, contextos de vulnerabilidade ou modos singulares de ser, estar, sentir e aprender, acabam excluídos simbolicamente por políticas que prometem equidade, mas reforçam desigualdades estruturais. <br />\r\n Interpelar essa lógica é reconhecer que a Educação Emocional não emerge como adendo periférico às práticas escolares, mas como crítica contundente a uma racionalidade pública que esvazia o sentido da educação, reafirmando que formar sujeitos não é treiná-los para performar, mas acompanhá-los na construção sensível, ética e plural de modos de existir.<br />\r\n A Educação Emocional emerge não como contraponto ingênuo, mas como resistência crítica: ela afirma a centralidade das emoções, da sensibilidade e da experiência compartilhada, devolvendo à educação sua tarefa essencial de humanizar, cultivar vínculos e possibilitar que cada sujeito exista para além das engrenagens que tentam reduzi-lo. Educar emoções não significa domesticá-las, mas reconhecê-las como parte constitutiva da condição humana, como campo de sentido e como linguagem que traduz, tensiona e reinventa a relação dos sujeitos consigo, com o outro e com o mundo.<br />\r\n É nesse horizonte que o Grupo de Trabalho Educação Emocional do CONEDU se consolidou como espaço de encontro, investigação e criação. O expressivo número de submissões desta edição – mais de 150 trabalhos, advindos de diferentes regiões, campos disciplinares, perspectivas teóricas e experiências formativas – evidencia a vitalidade do tema e o desejo coletivo de compreender as emoções não apenas como objeto de estudo, mas como potência formadora. <br />\r\n Nesta pluralidade, convivem pesquisas sobre saúde mental, práticas docentes, metodologias ativas, arte, esportes, espiritualidade, infância, juventude, vulnerabilidades sociais, tecnologias, currículo, inclusão e tantos outros caminhos epistemológicos-teóricos- metodológicos que mostram que a Educação Emocional não cabe em delimitações rígidas: ela transborda.<br />\r\n Os trabalhos aqui reunidos ampliam essa tessitura ao revelar que educar emocionalmente é cultivar um exercício contínuo de presença, escuta e responsabilização. Cada pesquisa, relato, intervenção pedagógica, análise reflexiva ou proposta metodológica parte de um lugar singular, mas converge para um compromisso comum: compreender como os afetos atravessam o cotidiano educacional e como podem produzir modos mais éticos, dialógicos e humanizadores de existir com os outros na escola, na família e em tantos outros espaços-tempos. Assim, o GT reafirma sua vocação como lócus de acolhimento e rigor acadêmico, no qual a sensibilidade não se opõe à ciência, mas a ela se articula como dimensão epistemológica.<br />\r\n Que este e-book, portanto, possa testemunhar a potência das ideias, das práticas e das vivências que se inscrevem no campo da Educação Emocional. Que ele inspire outras pesquisas, outras vozes, outras experiências que reconheçam, nas emoções, um terreno fértil para pensar a educação como processo integral, dialógico e comprometido com a dignidade humana. 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