A edição intitulada Diversidade, do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), no ano de 2012 trouxe o primeiro volume do romance gráfico marfinense de autoria de Marguerite Abouet e Clément Oubrerie, Aya de Yopougon, como uma das obras indicadas para leitura nas escolas públicas brasileiras. A inclusão dessa obra, dentre as sugestões de leitura, atende Lei 10.639/03 que incentiva o ensino da história e da cultura afro-brasileiras no currículo escolar e traz para a sala de aula um gênero ainda pouco legitimado dentro dos estudos literários. Para além disso, a obra trata de temas atuais e emergenciais, no que diz respeito à condição feminina ambientada na Costa do Marfim, embora o enredo se passe na década de 1970. Ademais, traz em seu escopo, a discussão sobre a afirmação identitária negra em heróis e heroínas de quadrinhos e na literatura infanto-juvenil, de um modo geral e, consequentemente na literatura. Essas discussões se mostram emergentes em nossa sociedade ainda machista, patriarcal e racista. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo discutir como a referida obra aborda questões relacionadas à condição feminina e afirmação da identidade negra e quais os impactos possíveis dessa discussão dentro do âmbito da sala de aula. Para tanto, nos basearemos em reflexões de Compagnon (2012), Candido (2011), Hooks (2015), Butler (2012), dentre outros. Nossos primeiros resultados apontam para a necessidade de trazer a discussão concernente ao gênero e à afirmação da identidade negra para o espaço da sala de aula, tendo em vista a conjuntura sócio-política atual e levando-se em conta a invisibilidade recorrente de personagens negros nas histórias infanto-juvenis.