Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

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SERTÕES DILACERADOS: RESSEMANTIZAÇÕES DO IDEÁRIO REGIONALISTA NORDESTINO E SERTANEJO NA DRAMATURGIA DE JOÃO DENYS ARAÚJO LEITE.

Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

Este trabalho pretende abordar um modelo particularizado de ficcionalidade na literatura dramática do dramaturgo e encenador potiguar João Denys Araújo Leite, focalizando e comparando como a forma de sua criação dramatúrgica contrapõe-se e diferencia-se de certos mecanismos tradicionalistas de representação literária do sertão nordestino, calcados em movimentos e ideários elaborados sob a égide da harmonização e da cordialidade, e pretensos a situar tal região como um locus de positividade. João Denys particulariza a sua discursividade artística com substratos intrinsecamente contraideológicos, urdindo através dos recursos antinaturalistas de sua carpintaria dramática um imaginário ficcional construído a partir da transgressão dos limites referenciais de uma realidade vivencial fincada nos ditames de uma dificuldade latente e extrema, transgredindo e nomeando no fictício a condicionalidade limítrofe em que se lacera, e ainda persiste em resistir, a valoração cultural dos elementos que a configuram. Na sua dramaturgia, nós encontramos um viés desviante de ressemantização do universo sertanejo através da descida cruel a um mais fundo da condição humana, mergulhando nos domínios de uma veia nordestina, assinalando as estratégias do jogo performativo com que ele estabelece o diálogo entre o local e o universal. Na sua proposta singularizada de mimetização do sertão e do homem sertanejo, a significação transgredida destes referentes se dilata, e se delata. Ultrapassam-se as fronteiras de suas referências tradicionais e convencionais. O locus de dificuldade do sertão se transfigura no locus de crueldade da própria – e adversa – natureza humana, metaforizando a natureza de sua realidade dificultosa e crua na ideia conceitual de um infinito deserto, onde a imagem problematizada do homem sertanejo se projeta no horizonte da própria condição humana frente ao extremo das adversidades tanto do mundo exterior quanto dos labirintos de sua experiência interior. É desta maneira que o imaginário do sertão e do homem sertanejo é ressemantizado e universalizado pelo discurso dramático de João Denys Araújo Leite, englobando na malha visceral da sua dramaturgia o entrelaçamento subliminar de uma série de fatores como história, tradição, identidade, memória, ideologia, sociedade, cultura popular, patriarcalismo, oligarquias, ideários, manifestos, movimentos, etc., que se dilaceram em uma mesclagem multifacetada de grito e vertigem tecida nas vozes de seu drama seco.

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