Artigo Anais ABRALIC Internacional

ANAIS de Evento

ISSN: 2317-157X

Visualizações: 273
ESCONDIDOS NO GALINHEIRO: REPRESENTAÇÕES DA INFÂNCIA NAS LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Publicado em 12 de julho de 2013

Resumo

Nas literaturas africanas de língua portuguesa, os galinheiros são representados como lugares prediletos para esconderijo das crianças; é dentro desses refúgios, entre galinhas, grãos e restos, que são trocados segredos e sanadas feridas abertas pela violência que assola os territórios vitimados por anos seguidos de guerras. Neste trabalho, focalizamos duas ocorrências em que os galinheiros configuram-se como lugares de refúgio: no romance "Terra sonâmbula", de Mia Couto (1993), o filho mais novo da família é alijado da casa familiar e passa a morar no galinheiro, figurando assim a esperança paterna de livrá-lo dos ataques dos bandos e salvar-lhe a vida. Tal episódio ocorre dentro da narrativa autodiegética que compõe o segundo nível narrativo, metadiegético, do romance. Também no conto “No galinheiro, no devagar do tempo”, de Ondjaki (2007), o espaço de criação das galinhas constitui-se em retiro eleito pelas crianças; distantes do mundo dos adultos, é ali que se trocam confidências silenciosas e se fazem pactos de amor que constituem bálsamo para as esperanças desfeitas pela pobreza extrema. O narrador homodiegético tem percepção limitada dos fatos ocorridos, embora capte deles o essencial, que é a impossibilidade de que a vida valha mais que os grãos de milho esfacelados no chão do galinheiro.

Compartilhe:

Visualização do Artigo


Deixe um comentário

Precisamos validar o formulário.