O termo/conceito capacitismo vem sendo bastante discutido nos últimos anos e tem ganhado bastante espaço nas redes sociais e em discussões acadêmicas. O termo, que vem da tradução do inglês ‘ableism’, pode ser entendido, em suma, pelo preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência através de falas ou situações que os ofendam. No ambiente escolar, tal como acontece na sociedade como um todo, também existem situações e falas capacitistas que afetam diariamente a vida de estudantes com deficiência. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo refletir sobre o uso de termos capacitistas dentro do ambiente escolar. Metodologicamente, trata-se de um relato da experiência de uma das autoras deste trabalho, que trabalhou como assistente de inclusão em uma escola pública de Ensino Fundamental na periferia de Fortaleza. Também foi realizada uma pesquisa bibliográfica para trazermos a base conceitual e discussões/análises sobre inclusão/exclusão escolar. Como principais achados, apontamos que constantemente educadores referem-se aos estudantes com deficiência utilizando termos e expressões que deveriam estar em desuso, visto todas as lutas já traçadas e os avanços já conquistados. Os termos, que aparentemente podem parecer “menores” diante dos grandes debates sobre inclusão em educação, representam concepções, crenças, estão grávidos de significados e, portanto, precisam ser atualizados conforme o movimento acontece. Compreende-se, assim, que a insistência no uso de termos inadequados pode representar uma resistência à melhor compreender e interagir com esse grupo de estudantes, contribuindo assim para a manutenção do capacitismo.