O interesse maior neste trabalho é compreender como o sabor é capaz de resgatar experiências guardadas nas memórias das pessoas a partir de imersões corpóreas realizadas pelos sentidos. Para tanto, realizamos uma oficina junto aos alunos da disciplina Saberes e Sabores do Rural do curso de geografia da Universidade Federal de Minas Gerais. Viver a experiência pelo corpo nos fez refletir sobre em que medida o debate sobre o sabor pode interferir na forma mais ou menos rígida do corpo perceber o mundo, uma vez que a experiência está voltada para além do eu (TUAN, 2013). Experienciar, experimentar, vivenciar, aprender, são alternativas criadas para se conhecer e construir a realidade em que se vive através dos sentidos. Isto quer dizer que o sabor é, na maioria das vezes, hedonista, se misturando aos outros sentidos e proporcionando uma sensação de prazer, fruto da relação que estabelecemos com o mundo. Ao final da oficina, percebemos como é necessário despertar a sensibilidade e as emoções nos alunos e a experiência com o corpo enquanto recurso metodológico pode trazer novos sentidos à geografia. A lembrança dos avós ou parentes ancestrais remete a um tempo em que esses alimentos eram produzidos de forma demorada enfestando de cheiros atraentes os lugares que vieram com as memórias dos participantes. Entendemos que essa experiência abre um campo de pesquisas entre a geografia, o corpo e a valorização do sabor através do saber-fazer.