Artigo Anais IV SINALGE

ANAIS de Evento

ISSN: 2527-0028

O TRATAMENTO DIRECIONADO ÀS VARIEDADES LINGUÍSTICAS NO CONTEXTO DA SALA DE AULA

Palavra-chaves: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, ENSINO DE LÍNGUA MATERNA, PROFESSOR, SALA DE AULA Comunicação Oral (CO) GT05-ESTUDOS DESCRITIVOS DA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS SOB UMA PERSPECTIVA FUNCIONALISTA Publicado em 27 de abril de 2017

Resumo

Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa realizada em uma escola de ensino fundamental, a qual teve como objetivo investigar o tratamento dado pelos professores à diversidade linguística na sala de aula. Dentre os objetivos específicos da nossa pesquisa, destacamos: (i) descrever as variedades linguísticas que os alunos utilizavam ao dialogarem com os colegas e o professor; (ii) interpretar os fatores sociais que influenciam na escolha das variedades empregadas na comunicação entre os falantes; e (iii) refletir sobre como o professor se coloca diante da influência da norma padrão/culta no contexto de sala de aula e como aborda outras regras variáveis desprestigiadas, especialmente de concordância nominal e verbal na língua portuguesa. Para realização da pesquisa, tivemos como apoio teórico os conceitos e postulados da Sociolinguística, seguindo os trabalhos de Alkmim (2001) e Bagno (2007), entre outros autores que estudam e discutem sobre o fenômeno da variação e da mudança linguística. A pesquisa foi realizada em uma escola pública do ensino fundamental, localizada na cidade de Alexandria/RN. Observamos 20h/a de Língua Portuguesa nas turmas de 6° e 9° ano, e, utilizando de instrumentais da pesquisa de campo, fizemos anotações no decorrer das aulas, registrando os procedimentos metodológicos do professor ao abordar conteúdos relacionados à variação linguística. As notas de campo tiveram como base um roteiro com questionamentos referentes a esse fenômeno, e se constituíram como corpus de análise para o trabalho. Diante da análise dos dados, percebemos que há ainda problema de formação teórica a respeito desse assunto, evidenciando a necessidade do professor aprofundar-se mais nas questões relativas às variedades linguísticas, sobretudo dominar a terminologia para se referir com clareza a conceitos como língua, variação, variedades, variantes, norma padrão/norma culta. Além disso, levando em conta a heterogeneidade constitutiva à língua, observamos uma dificuldade do professor de saber lidar com eventuais usos diferentes que o aluno faz da língua portuguesa, principalmente aqueles que mais se distanciam da variedade prestigiada socialmente. Tal dificuldade acabava tornando inevitável a reprodução do preconceito linguístico em sala de aula. Em determinadas situações, por exemplo, o professor utilizou termos como “matou o português”, reprimindo um aluno por ter falado o termo “mar milhor”, fato que gerou uma série de piadas e risadas, demarcando, assim, o preconceito linguístico tanto por parte do professor como também dos outros alunos. Desse modo, concluímos que a Sociolinguística no âmbito escolar tem um papel fundamental, sobretudo pelo fato de tratar das diversidades linguísticas, levando em conta que a língua, nessa concepção, é heterogênea, variável e multifacetada. A partir da realidade vivenciada e dos resultados alcançados, destacamos a necessidade do professor ser conhecedor dos estudos sociolinguísticos para saber lidar com essas diversidades, saber fazer com que o aluno reflita sobre sua língua materna e não reprimi-lo por uma forma linguística que falou ou escreveu de forma “errada”, pois, na concepção sociolinguística, não existe uma língua “certa” ou “errada”, nem mais “bonita” ou “feia”, o que existem são variedades diferentes na língua para que o falante possa se adequar aos diferentes contextos de uso.

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