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ISBN: 978-65-86901-29-0
VII CONGRESSO NACIONAL DA EDUCAÇÃO

E-book: Educação como (re)Existência: mudanças, conscientização e conhecimentos - Volume 03
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Prefácio


Educação como (re)Existência: mudanças, conscientização e conhecimentos

A compilação de textos, neste e-book, apresenta o delineamento relacionado à temática Educação como (re)existência: mudanças, conscientização e conhecimentos. A discussão envolve reavaliar formas de pensar a educação como um espaço-tempo de mudanças, de (re)existir pela possibilidade de estabelecer diálogos e lugares de escuta, conscientização de direitos, deveres, saberes, práticas, conhecimentos científicos, culturais e sociais. Seria ousado pensar a educação por esse viés? Como postulou Paulo Freire “a educação é um ato de ousadia” e, tomando essa proposição é que ousamos nos reinventar a cada dia para continuarmos promovendo uma formação que amplie os horizontes dos sujeitos que compõem essa engrenagem. 

No ano de 2020, especificamente, toda uma estrutura de sociedade precisou de novas formas de agir e pensar para manter-se em funcionamento, incluindo as escolas e universidades. Os/as professores/as, por sua vez, foram chamados/as a dar sentido aos processos educacionais atendendo à demanda apresentada pela pandemia causada por um vírus (COVID-19). O distanciamento social imposto à população mundial evidenciou questões ambientais, sociais, culturais e econômicas pungentes nos fazendo relacionar ontem e hoje. Salientando que a humanidade já passou por outras crises sanitárias, por exemplo, a gripe espanhola. O que podemos aprender com essa experiência? 

O contexto pandêmico tornou a conectividade pauta urgente de maneira geral e, especificamente, também no âmbito educacional. O vocabulário docente foi permeado de palavras como síncrono, assíncrono, on-line etc. A escola foi posta em xeque e o papel social docente ficou mais em evidência. Conceitos, já cristalizados no campo educacional também foram disputados em um modelo que polarizou presencial versus virtual.  Nesse sentido, educação, ensino, aprendizagem, mediação, aula e avaliação, por exemplo, tornaram-se conceitos-chave de debates em vários momentos na pandemia. Concomitantemente a desigualdade mostrou sua face brutal demonstrando a dureza da realidade de um sem número de estudantes brasileiros e reafirmando que não estamos todo/as em um mesmo lugar, a condição social é uma chave de análise importante para pensarmos e problematizarmos esse contexto. Assim sendo, pobreza, processos de inclusão e exclusão, bem como, dimensões humanitárias foram pautas de debates sobre esse processo de (re)existir. 

A análise do impacto desse momento, ainda será sentida por nós e pelas futuras gerações que precisarão reencontrar na educação o caminho para a mudança. Esse caminho envolve sujeitos, interações, desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Não se trata apenas de acessar o conhecimento contido em livros e aulas, mas de compreender o mundo pela leitura de seus próprios sujeitos em que a experiência, em sua dimensão singular e coletiva, encontra novos contornos. O axioma proposto por Paulo Freire, que em 2021 celebramos seu centenário, ainda se faz necessário por reafirmarmos que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra.” O mundo que vivemos hoje prescinde de mudanças, transformações e (re)existências com novas leituras. 

Precisamos pensar, também, com Ailton Krenak (2019), a necessidade das ideias para adiar o fim do mundo, de maneira que mobilizados e sensibilizados por tudo que vivemos em tempos pandêmicos a educação possa nos trazer uma dimensão consciente de saberes, ora silenciados, ora marginalizados. O que queremos aprender para o futuro? É preciso pensar, a partir de agora, que novos horizontes borram os sentidos de educação necessitando de ressignificações mais humanas e possíveis. Os textos que vocês lerão nesse e-book são frutos de uma socialização que se fez emergente e necessária nesse momento de crise. 

Por fim, nos diferentes espaços de educar é importante que a colaboração, entre os pares e interinstitucional, ou seja, a coletividade seja a base para a promoção das mudanças que alavanquem processos educacionais, as diversas formas de inclusão e a formação crítico-reflexiva dos sujeitos. Que possamos adiar o fim do mundo  (Krenak, 2019) tendo a esperança que nos engajaremos na construção de novas narrativas, conhecimentos e possibilidades. 

Referências
FREIRE, P. A importância do ato de ler. 23 ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. 

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
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