Introdução: As doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas estão entres as principais causas de morte da população idosa brasileira. Considerando tais morbidades, a diabetes mellitus e a desnutrição merecem atenção especial, pois são as que apresentam maiores taxas de mortalidade, aumentando a susceptibilidade ás infecções e diminuindo a qualidade de vida dessa população. Em idosos longevos (de 80 anos ou mais) a desnutrição parece atuar de forma mais significativa sobre a mortalidade, se comparado com os idosos jovens (de 60 a 69 anos). Objetivo: Analisar a tendência da mortalidade por doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas em idosos jovens (60 a 69 anos de idade) e longevos (80 anos e mais) no estado do Rio Grande do Norte no período de 2001 a 2010. Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico de Séries Temporais, no qual foram utilizados dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), a partir do qual foi calculado o Coeficiente de Mortalidade por doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (Capítulo IV - CID 10). A análise da tendência da mortalidade foi realizada pelo programa joinpoint, que através da regressão log-linear segmentada permite descrever uma tendência e identificar se houve mudanças recentes, modelando segmentos lineares unidos por pontos de inflexão. Resultados: No período em questão, foram registrados 1.916 óbitos decorrentes de doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas na faixa etária de 60 a 69 anos e 4.314 para os idosos de 80 anos e mais, o que representa 9,91% e 9,60% entre todas as causas de morte para os respectivos grupos de idade. A análise de tendência revelou um amento nas taxas de mortalidade pelo capítulo IV do CID 10 para os dois grupos de idosos. Em relação aos longevos, observou-se um ponto de inflexão e aumento estatisticamente significativo com um Percentual Anual de Cambio (PAC) de 14,38% no primeiro segmento, seguido de um decréscimo na tendência após o ano de 2008. Por outro lado, a série histórica referente aos idosos jovens não apresentou alterações em sua tendência para o período estudado, apresentando um PAC de 3,70%. Conclusão: A importante participação das doenças do CID-4 no número de óbitos da população idosa, não tem sido devidamente evidenciada nas estatísticas oficiais de mortalidade. Os resultados ora apresentados mostram que tal causa merece atenção especial, pois representam importante fator de risco para a mortalidade da população idosa em geral. A melhora no preenchimento da declaração de óbito talvez justifique o decréscimo na tendência de mortalidade observada para os idosos longevos a partir de 2008.