Artigo Anais II CONBRACIS

ANAIS de Evento

ISSN: 2525-6696

A AÇÃO DAS PRÁTICAS DISCURSIVAS NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOS SUJEITOS EM SOFRIMENTO PSÍQUICO

Palavra-chaves: LOUCURA, DISCURSO, IDENTIDADE, EXCLUSÃO, EXCLUSÃO Comunicação Oral (CO) AT-05: Saúde Mental Publicado em 14 de junho de 2017

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo compreender como as práticas discursivas podem atuar na construção da identidade do sujeito em sofrimento psíquico. Almejando alcançar este objetivo, serão analisados brevemente alguns processos e discursos que legitimaram a exclusão da loucura do convívio social, bem como os discursos advindos da Reforma Psiquiátrica. Os discursos reformistas buscaram elaborar novos paradigmas acerca da loucura, que visaram desconstruir as identidades negativas atribuídas aos sujeitos em sofrimento, almejando um novo lugar social. A Reforma representa um processo social complexo, que, ao colocar a doença entre parênteses, passa a ter um novo olhar aos sujeitos em sofrimento psíquico. Entretanto, os efeitos dos discursos excludentes representam impasses e desafios aos objetivos reformistas. O discurso excludente é utilizado como um exercício privilegiado de poder, que teve como uma de suas consequências a não aceitação da palavra do louco. Dentre estes discursos, incluem-se os discursos médicos e jurídicos, os quais possuem valor de “verdade” e são caracterizados por tentarem normatizar condutas e moldar sujeitos, além de excluir os que não se encaixam nestes padrões. A perspectiva teórico-metodológica desta pesquisa é a Psicologia Social Discursiva, que compreende que o discurso e a linguagem produzem a realidade social em que vivemos, na qual se inclui a identidade. Assim, ao considerar a construção da identidade como resultado de ação de práticas discursivas faz-se necessário compreender os contextos que ensejaram tais discursos. De tal modo, essa construção discursiva da identidade implica que a sua definição apenas possuirá sentido dentro de um sistema de significação, que inclui a cultura e os sistemas simbólicos. Nesse sentido, percebe-se que identidade não é algo inerente ao sujeito, mas é forjada através da construção histórica e social. Assim, entende-se que o efeito discursivo na construção da loucura está repleto de identidades estigmatizadas, que vem fazendo com que o sujeito em sofrimento psíquico ocupe o limbo da vida cotidiana. Ao pensar na atuação da Psicologia Social nessa realidade, podemos entender que um de seus papéis na Saúde Mental seria o de promover a transformação dos estigmas que difundem a desigualdade social, através de uma atuação política, preocupada com a garantia dos direitos humanos, com a defesa e valorização da cidadania e com a efetivação da democracia, que deve ocorrer de forma solidária e com o compromisso político e ético, uma vez que a Psicologia é um importante instrumento transformador das relações sociais. Dessa forma, ao verificar o efeito do discurso na produção da realidade social e a atuação da Psicologia na Saúde Mental ficam algumas reflexões: Quais estratégias discursivas poderiam ser utilizadas para modificar identidades tão fortalecidas e arraigadas historicamente? Como os discursos da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial podem contribuir na transformação dos estigmas e dos estereótipos dos sujeitos em sofrimento psíquico? Como as políticas públicas de Saúde Mental podem auxiliar nessa mudança de paradigmas? O que estamos fazendo para contribuir com a transformação dessa sociedade excludente?

Compartilhe:

Visualização do Artigo


Deixe um comentário

Precisamos validar o formulário.