Artigo Anais do XV SIMPÓSIO NACIONAL DE GEOMORFOLOGIA

ANAIS de Evento

ISBN: 978-65-5222-055-4

DESASTRE HIDROLÓGICO, ÁREAS DE RISCO E VULNERABILIDADE NA BACIA DO RIO BRACUÍ (ANGRA DOS REIS - RJ)

Comunicação Oral GT 10 - Risco Geomorfológico: diagnóstico, prevenção e previsão
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Publicado em 12 de setembro de 2025

Resumo

Em dezembro de 2023, um evento pluviométrico extremo (250mm em 24 horas) associado ao período de maré alta, levou a um rápido aumento do nível do rio Bracuí, em Angra dos Reis (RJ), desencadeando uma enxurrada e uma cheia de grandes proporções. Os impactos da cheia causaram desastre nos bairros Bracuí e Sertão do Bracuí, levando à obstrução de vias e culminando em mais de 300 desabrigados e duas vítimas fatais num asilo, tendo sido decretada situação de emergência por 180 dias pela Prefeitura. Assim, objetivou-se avaliar o desastre e seus impactos sobre o sistema fluvial e relacionar os trechos mais afetados com as áreas de risco mapeadas na bacia do rio Bracuí, com especial atenção à vulnerabilidade dos povos e comunidades tradicionais ali inseridos. Para contextualização sobre as ações de atendimento emergencial à população e mitigação dos impactos, levantaram-se informações em mídias oficiais. A investigação de campo ocorreu em janeiro de 2024, para observação, registro, inquérito e análise dos impactos do desastre sobre a ocupação da bacia do Bracuí, tendo sido utilizado um drone para captura de imagens aéreas. Foram utilizadas imagens de satélite do Google Earth, de antes e depois do desastre. Para relacionar as áreas afetadas com as áreas de risco (sobreposição), utilizaram-se a Carta de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundação (Serviço Geológico do Brasil, 2014) e o Mapa de Cadastramento de Moradores em Área de Risco do Sertão do Bracuí (Angra dos Reis, 2019). Decorridos três meses do desastre, as alterações fluviais ainda estão registradas nas imagens. A calha e os depósitos marginais foram ampliados e grande carga de sedimentos foi mobilizada, notadamente nos primeiros 5,6km do rio. Identificaram-se sete áreas mais afetadas pelo desastre e três áreas de sobreposição com as áreas de risco, estas últimas localizadas somente na margem esquerda do rio Bracuí. Não há registro de área de risco nos mapeamentos supracitados na margem direita do rio Bracuí, onde se localiza o quilombo Santa Rita do Bracuí, fortemente afetado pelo desastre. Além disso, o local do asilo também não se insere em área de risco, embora esteja a cerca de 20m de uma delas. A aldeia localizada na Terra Indígena Guarani do Bracuí, na porção alta da bacia, não foi afetada diretamente pelo desastre, mas teve a estrada de acesso interditada. Com o decreto de emergência, foram convocados voluntários, realizadas campanhas de arrecadação e acionada a Defesa Civil. Esferas do poder público e privado envolveram-se na limpeza das ruas e obras de desassoreamento e contenção de margens e distribuição de itens básicos à população. Entretanto, houve apontamento de irregularidades nas obras realizadas pela gestão municipal, que acabariam por prejudicar o acesso dos quilombolas ao rio. Ações emergenciais são fundamentais se tomadas medidas adequadas, preservando características físico-ambientais e minimizando vulnerabilidades. Destacou-se a baixa sobreposição entre áreas afetadas e áreas de risco, indicando a necessidade de novos mapeamentos, considerando tanto a evolução da dinâmica espacial, quanto as características do sistema ambiental, que conduzem e reagem a eventos hidrológicos de alta magnitude.

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