Artigo Anais XI CONAGES

ANAIS de Evento

ISSN: 2177-4781

RE-DISCUTINDO A CONSTITUIÇÃO DIALETOLÓGICA DA HOMOLINGUAGEM E SUAS INTERFACES A PARTIR DE PARADIGMAS SÓCIO-SÊMIO-LEXICAIS

Palavra-chaves: LINGUAGEM, HOMOSSEXUALIDADE, GÊNERO Comunicação Oral (CO) / Oral Papers Submission Teorias e estudos gays, lésbicos e queers
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Publicado em 03 de junho de 2015

Resumo

Sob a responsabilidade de retomar discussões indiciadas no âmbito de uma pesquisa realizada entre os anos de 2009 a 2013, o presente trabalho objetiva, além de apresentar resultados palpáveis a respeito da compreensão da variação linguística utilizada por comunidades de falantes homossexuais, influenciada por fatores estruturais e /ou sociais, rever outras expressões que desembocam na construção de elementos linguísticos realizados e fixados como critério lexical da comunidade de falantes contemplada nessas reflexões de cunho científico, para que, efetivamente, possa-se entender determinados comportamentos constantes, eleitos pelos que falam, como ideais para comunicar-se e transmitir as informações necessárias à vida em comum (LABOV, 1975). Partindo das contribuições dos trabalhos “As interfaces da homolinguagem e sua construção sêmio-lexical” (BARBOSA, 2009) e “Da performatividade à homolinguagem: perscurso da expressão na constituição dialetal” (BARBOSA, 2012) que visaram entender o processo de constituição, significação e adequação ao contexto de uso do discurso homossexual, sugere-se uma revisão sistemática de relevantes questionamentos e indagações apreciativas das exposições desses escritos. Em se tratando de metodologia, além das questões alusivas ao tratado científico, considerou-se critérios linguísticos relacionados à afetividade, como instrumentos que se correlacionam à Subjetividade, à Semântica e à Pragmática e, ainda, de acordo com os estudos de Ostermann (2003; 2006; 2008; 2010), defende-se que o gênero é algo que se desempenha através da linguagem, como também questões que são colocadas no cerne da noção de “performatividade de gênero” (BUTLER, 1990) quando esta é relacionada com os atos de fala, afirmando-se como corpus da Linguística Queer (LIVIA & HALL, 1997). A exposição dos conteúdos abordados se imbrica, sobretudo, nas teorias da Sociolinguística (MUSSALIM, 2001), Identidade Social (TAJFEL & TURNER, 1986), Afetividade (MORENO, 1978), Construção Linguística por base dos Dialetos do Candomblé (PÓVOAS, 1989), Uso e incorporação lexical de palavras oriundas de inspiração “Nagô” (MOTT, 2006) e elementos concretos utilizados pela teoria da Análise da Conversação (MARCUSCHI, 2000). O corpus da pesquisa é constituído basicamente por gravações espontâneas de conversas entre falantes da comunidade em relevo e de textos eletrônicos voltados ao público gay. Na análise foi detectado um alto grau de resignificação das palavras através de uso de neologismos e de empréstimos linguísticos de línguas africanas e do inglês, muitas vezes tornando os enunciados abstratos a quem não é iniciado na vivência homossexual.

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