Artigo Anais VII ENALIC

ANAIS de Evento

ISSN: 2526-3234

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A ARGUMENTAÇÃO NOS TEXTOS MULTIMODAIS: UMA EXPERIÊNCIA COM A PRODUÇÃO DE FOTOS NARRADAS NO ENSINO FUNDAMENTAL

Resumo

A ARGUMENTAÇÃO NOS TEXTOS MULTIMODAIS: UMA EXPERIÊNCIA COM A PRODUÇÃO DE FOTOS NARRADAS NO ENSINO FUNDAMENTAL Susan Maria Silva Valença/IFAL Júlio Gabriel Moreira da Silva/IFAL Alicia Leticia da Silva Nunes/IFAL Karine de Oliveira Cândido/UFAL Wanderclebson Teixeira dos Santos/IFAL Eixo temático: 1. Processos de Ensino e aprendizagem - com ênfase na inovação tecnológica, metodológica e práticas docentes. Agência financiadora: Capes O indivíduo, enquanto ser social e comunicativo, interage por meio de construções textuais que são compostas por recortes de diversas perspectivas e não possuem neutralidade, uma vez que todo discurso e posicionamento crítico acerca de um tema é imbuídos de parcialidade evocada pelo seu autor, consequência de sua vivência, particularidade existente na individualidade de cada ser humano. Ao analisar as características destes textos produzidos, é possível perceber que, além de sua função comunicativa e social, fica evidenciada a necessidade de conversação entre os indivíduos, que antes estava restrita a elementos físicos e à oralidade. Hoje, com o avanço tecnológico e um crescimento exponencial do uso de celulares conectados à internet, a população passou a se deparar com novas plataformas de texto, ou seja, o que antes era apenas manuscrito e/ou impresso, passou a ter novos formatos, podendo existir nas mais variadas formas e com diversas finalidades: E-book, Memes, Narrativas digitais, PDFs, fanfics, entre outros. Observando essas novas maneiras de se produzir textos, a evolução das técnicas e do próprio escrito, faz-se necessário a formação de uma nova classe de leitores, capazes de compreender textos multimodais, os chamados leitores multiletrados. Apesar da apreensão de conhecimentos a respeito dos mutiletramentos ser proporcionada através da experiência que o próprio aluno adquire por meio de sua vida pessoal e no decurso de suas relações sociais, a escola, enquanto instituição formadora, muitas vezes não possui um leque de possibilidades e metodologias que atendam às necessidades desses indivíduos, tendo em vista que estes discentes não se reconhecem nas práticas escolares, sendo nítido o distanciamento com o qual eles se deparam entre sala de aula e a vida cotidiana. Essas experiências de vida, também entendidas como conhecimento de mundo, normalmente não são evocados pelo docente que trabalha as competências linguísticas e cognitivas, necessárias para que seja possível o desdobramento das habilidades que possibilitarão o desenvolvimento do discente como leitor, e não apenas como decodificador de códigos. Em face dessa problemática, não se pode desconsiderar que a língua é um organismo vivo, constituinte dos saberes que os educandos trazem consigo para o ambiente escolar; deve-se ainda, considerar a língua como parte da cultura que integra a sociedade e o ensino de língua materna como algo irrestrito a aspectos meramente técnicos, pois o aluno compreende seu próprio idioma, tendo o professor função de instigar o hábito de reflexão do discente, propiciando a este mecanismos que possibilitem a abrangência de suas competências linguísticas, dentre elas, o argumento. A argumentação é própria do ser humano, sendo prescindida pelo ato de reflexão sobre a qual cada sujeito opera, pois é inerente ao individuo enquanto ser racional e integrante de grupos sociais a necessidade de produzir argumentos que possibilitem a defesa de seus pontos de vista. Nesse sentido, a escola desempenha papel fundamental nesse mecanismo, tendo em vista que a profundidade dessa reflexão se dá pelo processo individual de aquisição das já supracitadas habilidades e competências de mundo, de língua e sociedade. Por um longo período, em nossa sociedade, o professor foi considerado o detentor do saber, responsável por transmitir seu conhecimento, entretanto, ao longo da história essa visão foi reformulada e hoje, na pós-modernidade, a maior missão do docente é colocar-se como facilitador da sistemática do ensino. É nesse contexto que este artigo, fruto do trabalho realizado no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e promovido pelo Instituto Federal de Alagoas (IFAL), foi desenvolvido com 50 alunos numa turma de oitavo ano do ensino fundamental II de uma escola da rede pública do Estado de Alagoas, localizada no município de Rio Largo e justifica-se pela necessidade de desenvolver a criticidade e a habilidade argumentativa dos alunos, dando voz a esses sujeitos, que, no processo de aprendizagem, geralmente ocupam simplesmente o papel de receptores dos saberes expostos pela figura do professor. A partir desta premissa, busca analisar como o uso de recursos tecnológicos na produção de fotos narradas podem permitir o desenvolvimento das habilidades argumentativas dos alunos de uma turma de 8º ano do ensino fundamental II, verificando também os procedimentos didáticos mais adequados para as referidas produções. Assim, pretende-se responder à seguinte questão: como as fotos narradas podem ser usadas para desenvolver as habilidades argumentativas dos alunos? Para tanto, como processo metodológico, recorre-se à aplicação de sequências didáticas através de oficinas, de forma a propiciarem análise e construção dos recursos argumentativos em fotos narradas, as quais configuram o corpus desta pesquisa. As referidas oficinas foram executadas em três etapas: exposição teórica do processo argumentativo com foco na apresentação dos aspectos relacionados à coesão, coerência e intencionalidade, fazendo uso de textos; estímulo da criticidade dos alunos por meio da discussão do tema Preconceito; Apontamentos e ponderações sobre aspectos das produções que carecem de melhorias. As discussões aqui realizadas estão pautadas na área da Linguística Textual e fundamentadas nas considerações dos pesquisadores Roxane Rojo (2012), Roger Chartier (2002), Dionisio (2011), Zacharias (2016), Marcuschi (2008), que concebem a escrita como processo sociointeracional. Os resultados apontam para a necessidade de se trabalhar nas aulas de língua materna a argumentação atrelada ao uso da tecnologia, uma vez que o uso de aplicativos para plataformas mobile pode motivar a construção de textos multimodais - fotos narradas - de forma a desenvolver criticidade na argumentação em face de problemáticas pertinentes à sociedade, ao uso responsivo de ferramentas/plataformas tecnológicas. Palavras-chave: multimodalidade, fotos narradas, argumentação, multiletramentos Referências: CHARTIER, R. Os desafios da escrita. São Paulo: Editora UNESP, 2002. BARBISAN, L. B. Uma proposta para o ensino da argumentação. Letras de hoje, Porto Alegre, v. 42, n. 2, p. 111-138, junho. 2007. DIONISIO, A. P. Gêneros textuais e multimodalidade. In: KARWOSKI, A.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexões e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. ROJO, R. Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens na escola. In: ROJO, R.; MOURA, E. (Orgs.) Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. ROJO, R.; BARBOSA, J.; COLLINS, H. Letramento digital: um trabalho a partir dos gêneros do discurso. In: KARWOSKI, A.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexões e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.

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