GÊNERO E SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO: UM DESAFIO CONTEMPORÂNEO PARA PENSAR OS PROCESSOS FORMATIVOS
Na contemporaneidade os processos educativos tem sido cada vez mais exigentes e desafiadores por estarem necessariamente imbuídos nas distintas realidades que constituem as subjetivações humanas dos sujeitos envolvidos no fazer pedagógico, requerendo compromissos educativos contínuos para pensarmos a educação a partir daqueles/as que estão às margens. Dessa maneira, pensar, problematizar, refletir, desenvolver, sistematizar e publicizar o conhecimento inerente às questões de gênero e sexualidade e suas intersecções com a educação.
Sendo as instituições educativas um espaço-tempo marcado pelas diferenças, onde transitam distintos sujeitos, onde suas vivências se desvelam nas mais complexas situações, os espaços educativos, especialmente as escolas se configuram enquanto cenário aberto à multiplicidade e transitoriedade das subjetivações identitárias, considerando que as relações de aprendizagem são influenciadas pelas relações interpessoais que se estabelecem concomitantemente ao processo ensino-aprendizagem, quer seja nas interações didáticas entre estudantes e objeto os conteúdos curriculares, quer seja entre os próprios os/as estudantes entre si, ou mesmo na relação dialógica aluno/a-professor/a.
Partindo de tais pressupostos suscitamos algumas questões que podem contribuir para que possamos compreender melhor a intrínseca relação acerca das temáticas de gênero e sexualidade nos processos educativos: Gênero e sexualidade na escola, afinal, do que se trata nessa interpelação? Quais os significados das abordagens sobre estes temas no universo escolar? Quais filiações ou traços epistemológicos são utilizados numa abordagem dessa natureza? Por que tratar os temas gênero e sexualidade na instituição escolar?
Trabalhar com a diversidade sexual e de gênero e suas intersecções nas escolas requer por parte dos/as professores/as um processo de formação contínua, com o intuito de pensar a educação levando em consideração aqueles/as que historicamente foram margeados, merecendo especial destaque as pessoas LGBTQIAP+. Nesta perspectiva, gênero, sexualidade, educação e diversidade sexual se referem a práticas de liberdade, na medida em que os limites de nosso pensamento deverão ser transcendidos em nome de outras possibilidades tanto de conhecer como de amar.
São essa e outras questões imprescindíveis para pensarmos as questões de gênero no cotidiano escolar que os/as autores/as buscam responder por meio de pesquisas realizadas em diferentes realidades sociais e culturais a partir de vivências educativas. Considerando que qualquer decisão teórica e epistemológica é também política, ressaltamos que as pesquisas publicadas neste e-book expressam as filiações teóricas, metodológicas e epistêmicas dos/as autores/as. Assim, ao abordar o gênero e sexualidade como categoria de investigação, podemos recusar os lugares definidos a partir da lógica cisheteronormativa.
Os textos ora apresentados ressaltam a importância da discussão de gênero, sexualidade e suas intersecções na formação dos/as estudantes, por entender que é também no espaço escolar que nos deparamos com práticas de currículo que reforçam a reprodução das normas hegemônicas que tomam a cisheteronormatividade como único modelo a ser seguido, silenciando as diferenças. Práticas pedagógicas pautadas nesse modelo ignora, silencia e exclui a diversidade. De acordo Louro (2007), a escola se constitui enquanto espaço privilegiado para pensarmos as questões da diversidade no campo dos estudos de gênero e sexualidade, No entanto, a decisão de evidenciar e silenciar cabe aos sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. Assim, é importante ressaltar que gêneros e sexualidades são construções a partir de contextos culturais e sociais, cujos arranjos perpassam toda a sociedade.
Tendo em vista os elementos elucidados acima, salientamos que este e-book tem por objetivo suscitar a reflexão acerca de temáticas inerentes às questões de gênero, sexualidade e suas intersecções nos distintos espaços formativos para pensarmos a educação a partir daqueles/as que estão às margens.
Desejamos a todos/as uma ótima leitura e que ela nos leve a ações efetivas e afetivas de formação para pensarmos os desafios do fazer educativo na contemporaneidade.