Artigo Anais CONACIS

ANAIS de Evento

ISSN: 2358-0186

Visualizações: 162
“AS PESSOAS PRECISAM SER OUVIDAS, NÃO É SÓ PELO MÉDICO”: PERCEPÇÕES DE PSICÓLOGOS ACERCA DO USUÁRIO E DO TRABALHO EM EQUIPE NOS CUIDADOS PRIMÁRIOS.

Palavra-chaves: PERCEPÇÃO, PSICÓLOGOS, CUIDADOS PRIMÁRIOS Tema Livre (TL) Psicologia

Resumo

INTRODUÇÃO: A importância atribuída aos cuidados primários em saúde tem sido uma questão marcante na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Neste cenário, o trabalho em equipe, por meio do fazer interdisciplinar, apresenta-se como uma importante ferramenta de ação e a Psicologia desponta como um elemento contribuinte. OBJETIVO: o presente trabalho teve por objetivo apreender e analisar as percepções dos psicólogos acerca dos usuários e do trabalho em equipe nos cuidados primários, de forma a verificar sua relação com o que preconiza as diretrizes do SUS para o trabalho do psicólogo neste nível de atenção. METODOLOGIA: consistiu em uma pesquisa descritiva, de caráter exploratório e qualitativo. Foi realizada em serviços primários de atenção (UBS/USF) na cidade de João Pessoa/PB, contando com a participação de 20 psicólogos com idade entre 23 e 59 anos. Para a coleta de dados foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas, sendo estas analisadas a partir de uma análise categorial temática. RESULTADOS: A análise das falas dos participantes mostrou que no tocante aos usuários, os psicólogos reconhecem a necessidade de se dar maior atenção aos sofrimentos psíquicos apresentados por esta população nos serviços primários, uma vez que estes têm sido negligenciados pelos demais profissionais de saúde. No entanto, ainda trazem consigo a ideia da clientela idealizada do consultório particular, apontando não só diferenças, mas dificuldades no lidar com os usuários dos serviços primários. No tocante as percepções dos psicólogos com relação ao trabalho em equipe, estas fizeram referência ao trabalho realizado em parcerias, mas com cada profissional preso as suas especialidades, procurando desenvolver ações conjuntas apenas quando consideradas necessárias e, sendo estas, muitas vezes, submissas ao poder da classe médica. CONSIDERAÇÕES: Observou-se que o trabalho em equipe e interdisciplinar ainda não está consolidado nos serviços primários em saúde, nem muito menos se faz presente no fazer dos psicólogos participantes, uma vez que estes ainda apresentam raízes tradicionais ligadas à prática clínica-individual e a um tipo de clientela. Ademais, o estudo aponta que, no dia-a-dia dos serviços, as práticas estabelecidas entre os profissionais ainda são especializadas e hierarquizadas, elevando-se, principalmente, a figura do médico, tornando-se este em fator de resistência ao trabalho em equipe e ao fazer interdisciplinar.

Compartilhe:

Visualização do Artigo


Deixe um comentário

Precisamos validar o formulário.