Artigo Anais VII ENALIC

ANAIS de Evento

ISSN: 2526-3234

INTERCULTURALIDADE CRÍTICA EM PROCESSOS DE APRENDIZAGEM E CRIAÇÃO EM DANÇAS AFRORREFERENCIADAS

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Nossa comunicação tem como objetivo compartilhar o processo de realização de um desses cursos, Corporeidades afroancestrais na cena contemporânea, conduzido por Gerson Moreno, e o seu legado para tecermos proposições interculturais de ensino/aprendizagem[1] e de criação em dança, de modo crítico e articulado a referências outras que também nos tingem e nos tecem como indoafrolatinoamericanos. Consideramos urgente que tais referências sejam visibilizadas, valorizadas, acolhidas e que possam ressoar em/com nossas danças, tanto cênicas, como cotidianas, de modo a experimentarmos como essas referências "outras" podem favorecer relações mais simétricas entre nós. Importante pontuar que dialogamos com o termo ancestralidade como uma noção que remete ao passado, mas se encontra vibrando no presente e pode compor modos de vida mais promissores no/com o futuro. O curso proporcionou vivências que se articularam principalmente aos arquétipos dos orixás afro-brasileiros, os caboclos, pretos velhos e encantados, seus mitos, simbologias e corporeidades ancestrais, tendo nas singularidades de cada corpo dançante as condições para a realização de investigações em danças e dramaturgias afrorreferenciadas, para experimentos sensoriais/ritualísticos e para a criação/composição coletiva em dança. A partir do mês de setembro de 2017, a proposta do curso - que teve início em maio desse mesmo ano, com a abertura de uma primeira turma - foi desdobrada e uma segunda turma foi aberta, tornando-se um laboratório de criação artística e abrangendo participantes que continuaram, vindos do processo iniciado no primeiro semestre, como também novos integrantes, já com alguma inserção, pesquisa ou atuação alinhada com a proposta do laboratório. Ao todo, a proposta formativa teve carga horária de 80 horas. O curso e o laboratório de criação articularam movimentos, músicas, cantos, diálogos, relatos orais e escritos, textos, fotos e registros videográficos num movimento favorecedor de reposicionamentos. Com quem/o que e onde preciso estar para ver as coisas diferentemente de como elas estão hegemonicamente organizadas? Parece-nos que esses reposicionamentos tendem a ocorrer quando todo tipo de reducionismo e também distanciamento começa a ceder lugar a um processo de conhecer o outro e percebê-lo em nós, processo este que foi tecido com os corpos, nas vivências que foram constituídas. Quando experimentamos a dança do outro com todo o corpo, de modo afetuoso, intenso, com entrega, estamos num exercício de negociação entre essa nova corporeidade com as corporeidades que nos constituem, favorecendo a tomada de posições diferentes. Dançar pode nos fazer pensar e problematizar quem somos e quem queremos ser? Dançando, podemos performar esse/a humano/a outro/a? De acordo com Catherine Walsh (2009), falar de modos "outros" não é se referir a alternativas dentro de uma mesma razão moderno-ocidental-colonial, mas refere-se a um lugar de vida que recusa a universalidade abstrata e que é marcado pela diferença colonial, que ganha ênfase no contexto da diferença cultural. Levar em conta a diferença colonial de que fala Catherine Walsh (2009) solicita que nos empenhemos em colocar em prática a "interculturalidade crítica", em contraposição ao multiculturalismo ou ao que Walsh chama de "interculturalidade funcional". No curso e no laboratório, ganharam destaques danças que surgiram a partir de elementos das religiões afro-brasileiras como o candomblé e a umbanda, historicamente marginalizadas. Diversos movimentos, energias, estados foram mobilizados, conectando-nos às figuras dos orixás e de outras entidades da religiosidade afro-brasileira. A partir dessas experimentações, realizadas ao longo do ano passado, constituíram-se jogos coreográficos que, articulados a ritos cênicos, compuseram o trabalho de dança Cabeças Sagradas, que celebra encontros, aprendizados, inquietações, buscas e achados em coletivo. Ao longo do processo de ensino/aprendizagem e criação em dança que o projeto Grande Roda nos proporcionou, pudemos perceber que para nos afetarmos com o que se difere de nós mesmos, é preciso experimentação continuada, é necessário convivermos e registrarmos, de diversas maneiras, as diferenças experimentadas nessas vivências para se inventar - no sentido de colocar problemas, como propõe Virgínia Kastrup (2007) -, criar um corpo que se abre, que ressoa, aprende e pode se aliar a outros. Isso pode ser feito por meio da dança, do dançar essas diferenças, de modo a constituir histórias, mundos em que conexões, mesmo que parciais, sejam celebradas e desejadas e possam ser feitas e refeitas em condições simétricas, horizontais. É nesse sentido que articulamos ao nosso projeto a noção de "interculturalidade crítica", que nos orientou nos processos de ensino/aprendizagem e de criação em dança que conduzimos durante a realização do projeto de extensão. Tais processos possibilitaram a formação de grupos de pessoas que dançam para celebrar a vida, o estar junto; que entendem e fazem dança como ato social, artístico, político, de resistência e transformação. Referências CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón (orgs). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007. DALTRO, Emyle P. B. Corporrelacionalidades e coletivo na composição e aprendizagem inventivas em dança. 2014. 246 f. Tese (Doutorado em Arte). Instituto de Artes, Programa de Pós-Graduação em Arte, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2014. KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. PETIT, Sandra Haydée. Pretagogia: pertencimento, corpo-dança afroancestral e tradição oral Africana na formação de professoras e professores. Fortaleza: Ed. UECE, 2015. WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, Vera Maria (Org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, pp. 12-43, 2009. 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O curso proporcionou vivências que se articularam principalmente aos arquétipos dos orixás afro-brasileiros, os caboclos, pretos velhos e encantados, seus mitos, simbologias e corporeidades ancestrais, tendo nas singularidades de cada corpo dançante as condições para a realização de investigações em danças e dramaturgias afrorreferenciadas, para experimentos sensoriais/ritualísticos e para a criação/composição coletiva em dança. A partir do mês de setembro de 2017, a proposta do curso - que teve início em maio desse mesmo ano, com a abertura de uma primeira turma - foi desdobrada e uma segunda turma foi aberta, tornando-se um laboratório de criação artística e abrangendo participantes que continuaram, vindos do processo iniciado no primeiro semestre, como também novos integrantes, já com alguma inserção, pesquisa ou atuação alinhada com a proposta do laboratório. Ao todo, a proposta formativa teve carga horária de 80 horas. O curso e o laboratório de criação articularam movimentos, músicas, cantos, diálogos, relatos orais e escritos, textos, fotos e registros videográficos num movimento favorecedor de reposicionamentos. Com quem/o que e onde preciso estar para ver as coisas diferentemente de como elas estão hegemonicamente organizadas? Parece-nos que esses reposicionamentos tendem a ocorrer quando todo tipo de reducionismo e também distanciamento começa a ceder lugar a um processo de conhecer o outro e percebê-lo em nós, processo este que foi tecido com os corpos, nas vivências que foram constituídas. Quando experimentamos a dança do outro com todo o corpo, de modo afetuoso, intenso, com entrega, estamos num exercício de negociação entre essa nova corporeidade com as corporeidades que nos constituem, favorecendo a tomada de posições diferentes. Dançar pode nos fazer pensar e problematizar quem somos e quem queremos ser? Dançando, podemos performar esse/a humano/a outro/a? De acordo com Catherine Walsh (2009), falar de modos "outros" não é se referir a alternativas dentro de uma mesma razão moderno-ocidental-colonial, mas refere-se a um lugar de vida que recusa a universalidade abstrata e que é marcado pela diferença colonial, que ganha ênfase no contexto da diferença cultural. Levar em conta a diferença colonial de que fala Catherine Walsh (2009) solicita que nos empenhemos em colocar em prática a "interculturalidade crítica", em contraposição ao multiculturalismo ou ao que Walsh chama de "interculturalidade funcional". No curso e no laboratório, ganharam destaques danças que surgiram a partir de elementos das religiões afro-brasileiras como o candomblé e a umbanda, historicamente marginalizadas. Diversos movimentos, energias, estados foram mobilizados, conectando-nos às figuras dos orixás e de outras entidades da religiosidade afro-brasileira. 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Isso pode ser feito por meio da dança, do dançar essas diferenças, de modo a constituir histórias, mundos em que conexões, mesmo que parciais, sejam celebradas e desejadas e possam ser feitas e refeitas em condições simétricas, horizontais. É nesse sentido que articulamos ao nosso projeto a noção de "interculturalidade crítica", que nos orientou nos processos de ensino/aprendizagem e de criação em dança que conduzimos durante a realização do projeto de extensão. Tais processos possibilitaram a formação de grupos de pessoas que dançam para celebrar a vida, o estar junto; que entendem e fazem dança como ato social, artístico, político, de resistência e transformação. Referências CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón (orgs). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007. DALTRO, Emyle P. B. Corporrelacionalidades e coletivo na composição e aprendizagem inventivas em dança. 2014. 246 f. Tese (Doutorado em Arte). Instituto de Artes, Programa de Pós-Graduação em Arte, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2014. KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. PETIT, Sandra Haydée. Pretagogia: pertencimento, corpo-dança afroancestral e tradição oral Africana na formação de professoras e professores. Fortaleza: Ed. UECE, 2015. WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, Vera Maria (Org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, pp. 12-43, 2009. 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Publicado em 03 de dezembro de 2018

Resumo

Por meio do projeto de extensão Grande Roda: africanidades, ancestralidades e interculturalidade em movimentos, vinculado aos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Dança da Universidade Federal do Ceará - UFC, foram realizados, durante o ano de 2017, cursos que nos permitiram vivenciar e pesquisar danças afrorreferenciadas. Os cursos estiveram voltados a professores de arte da educação básica, artistas, pesquisadores, ativistas, estudantes e professores universitários, além de interessados da comunidade em geral. Neles, conexões foram potencializadas e o respeito - olhar horizontalmente para o outro, levando-o seriamente em consideração - requisitado. 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O curso proporcionou vivências que se articularam principalmente aos arquétipos dos orixás afro-brasileiros, os caboclos, pretos velhos e encantados, seus mitos, simbologias e corporeidades ancestrais, tendo nas singularidades de cada corpo dançante as condições para a realização de investigações em danças e dramaturgias afrorreferenciadas, para experimentos sensoriais/ritualísticos e para a criação/composição coletiva em dança. A partir do mês de setembro de 2017, a proposta do curso - que teve início em maio desse mesmo ano, com a abertura de uma primeira turma - foi desdobrada e uma segunda turma foi aberta, tornando-se um laboratório de criação artística e abrangendo participantes que continuaram, vindos do processo iniciado no primeiro semestre, como também novos integrantes, já com alguma inserção, pesquisa ou atuação alinhada com a proposta do laboratório. Ao todo, a proposta formativa teve carga horária de 80 horas. O curso e o laboratório de criação articularam movimentos, músicas, cantos, diálogos, relatos orais e escritos, textos, fotos e registros videográficos num movimento favorecedor de reposicionamentos. Com quem/o que e onde preciso estar para ver as coisas diferentemente de como elas estão hegemonicamente organizadas? Parece-nos que esses reposicionamentos tendem a ocorrer quando todo tipo de reducionismo e também distanciamento começa a ceder lugar a um processo de conhecer o outro e percebê-lo em nós, processo este que foi tecido com os corpos, nas vivências que foram constituídas. Quando experimentamos a dança do outro com todo o corpo, de modo afetuoso, intenso, com entrega, estamos num exercício de negociação entre essa nova corporeidade com as corporeidades que nos constituem, favorecendo a tomada de posições diferentes. Dançar pode nos fazer pensar e problematizar quem somos e quem queremos ser? Dançando, podemos performar esse/a humano/a outro/a? 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