Artigo Anais CONACIS

ANAIS de Evento

ISSN: 2358-0186

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TRANSTORNO DEPRESSIVO COMO COMORBIDADE A DEMÊNCIA VASCULAR: RELATO DE CASO

Palavra-chaves: TRANSTORNO DEPRESSIVO, DEMÊNCIA VASCULAR, ESTUDO DE CASO Pôster (PO) Medicina Publicado em 09 de abril de 2014

Resumo

A Demência Vascular (DV) é a forma de demência secundária mais prevalente e a segunda entre todas as demências. Sua causa direta é a doença cerebrovascular e é representada por um grupo heterogêneo de subtipos relacionando aspectos clínicos e de neuroimagem. Logo, suas manifestações clínicas são em decorrência tanto da área afetada por um evento vascular como da extensão da lesão. Muitas vezes um transtorno de humor pode vir como decorrência direta da lesão. Porém, outras vezes o paciente pode apresentar humor deprimido como consequência da tomada de consciência de sua disfunção executiva. Neste relato observamos a história de M.G.F.P., 69 anos, casada, aposentada (professora). Veio em busca de acompanhamento psiquiátrico em Janeiro deste ano. Referia como queixa principal irritabilidade e angústia. Relatou que há mais ou menos dois anos, após dois Acidentes Vasculares Cerebrais Isquêmicos, passou a apresentar dificuldades em seu raciocínio, relembrar alguns nomes, irritabilidade constante, principalmente em relação às pessoas próximas (em especial ao esposo) e baixo limiar de frustração. Nesse período deu entrada em seu processo de aposentadoria. Após oito meses da aposentadoria, passou a apresentar momentos de angústia e choro frequentes. Referia também sonolência diurna. Procurou seu geriatra, que prescreveu Ritalina LA® (metilfenidato) 20mg/dia. Houve melhora parcial, porém algumas semanas depois houve retorno ao padrão anterior. Em consulta de rotina ao seu neurologista, este trocou Ritalina por Stavigile® (modafinil) 200mg/dia, sem melhora na irritação, apenas no sono. Iniciou acompanhamento psicológico e, por orientação de sua psicoterapeuta, buscou consulta especializada em psiquiatria. Após avaliação, foi dado diagnóstico de episódio depressivo moderado, sendo prescrito Efexor XR® (Venlafaxina) 75mg/dia e suspenso o uso do Stavigile®. Posteriormente, no retorno em cinco semanas, observou-se melhora significativa do humor, nas relações familiares e na capacidade de se adaptar às situações. A partir deste relato podemos analisar a importância da avaliação do paciente de forma multi e interdisciplinar, levando-se em consideração a evolução da doença e a sequência temporal dos sintomas. Vale enfatizar que alterações no humor são bastante frequentes em pacientes que sofrem de DV com disfunção executiva. Entretanto, como a equipe de saúde que lida diretamente com este tipo de paciente não é treinada para este reconhecimento, estas alterações passam despercebidas. Isto acarreta prejuízo pessoal e social para o paciente, com piora da qualidade de vida.

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