Artigo Anais IV CONEDU

ANAIS de Evento

ISSN: 2358-8829

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O ENSINO DA GEOGRAFIA NA PERSPECTIVA FREIREANA: UM DIÁLOGO POSSÍVEL?

Palavra-chaves: ENSINO, GEOGRAFIA, PAULO FREIRE Comunicação Oral (CO) GT 17 – Ensino e suas interseções Publicado em 20 de dezembro de 2017

Resumo

O artigo traz reflexões sobre o ensino da Geografia no Ensino Fundamental numa perspectiva freireana. Discute a prática de ensino do professor de Geografia, a partir da observação dos estudantes do IFPE, do Estágio Supervisionado I. Procurou responder aos seguintes questionamentos: por que mesmo diante de diferentes possibilidades de se trabalhar os conteúdos da ciência geográfica, os professores costumam nortear suas práticas pela pedagogia tradicional? É possível um diálogo entre o pensamento freireano e a geografia escolar? O interesse por este tema surgiu a curiosidade em analisar se o ensino do componente curricular Cartografia Básica possui uma proposta pedagógica que supere o ensino da geografia tradicional, ainda tão presente na educação básica, cujas particularidades Freire denominou de educação bancária. Educar não significa transmitir um saber pronto e acabado, no qual o aluno se torna um mero receptor de conhecimentos. Ao trabalhar conteúdos geográficos com os seus educandos o educador deve estimular à curiosidade. Não adianta memorizar mecanicamente o conteúdo sem ter a liberdade de aventurar-se no mundo do conhecimento. A prática pedagógica freireana é comunicativa, dialógica, onde não se objetiva somente transferir o saber, mas sim significar os significados. Deve-se respeitar a autonomia e as experiências vivenciadas por cada aluno. Entre os conteúdos da geografia, cabe destacar a cartografia. A Cartografia é um importante meio para a interpretação de representações no ensino da Geografia, tanto no que se diz respeito à localização de fenômenos geográficos ou à compreensão desses no espaço. É por meio dela que se pode estudar o espaço geográfico, buscando compreender a realidade no que tange às questões ambientais, culturais, econômicas, políticas e sociais, sobretudo, na qual as distintas sociedades fazem parte; além de poder fazer analogias entre essas. A pesquisa em tela teve uma abordagem qualitativa do tipo estudo de caso. Com relação à coleta de informações, foi aplicado um questionário semiestruturado para os estudantes da turma do sexto período do curso de Licenciatura em Geografia. Esses discentes concluíram o componente curricular Estágio Supervisionado I, que é voltado para a observação das aulas de Geografia no ensino fundamental (6º ao 9º ano). Para organização e tratamento dos dados, tomamos como referência a técnica de análise de conteúdo. Ao pensarmos na prática de ensino do professor de Geografia do ensino fundamental, com relação aos saberes cartográficos, a partir do olhar freireano, percebemos um distanciamento do ensino da geografia escolar como uma ciência questionadora da realidade. Entendemos a dificuldade dos professores de auxiliar os estudantes na leitura do mundo de forma autônoma, não restrita aos conteúdos dos livros didáticos. Isto deve-se, provavelmente, a uma formação de professores ainda com tendências tradicionais, voltadas para a memorização e deslocada da realidade vivida. Faz-se necessário que a luta pela educação libertadora e o combate à educação bancária norteiem as atuais práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores de Geografia.

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