A educação de pessoas surdas registra um longo tempo de opressão sofrida por causa da imposição do oralismo por parte dos ouvintes, demorando, assim, para que esses sujeitos tivessem direito ao respeito a sua diferença linguística e a sua identidade. Com isso, Este artigo tem como objetivo principal fazer um paralelo entre a pedagogia do oprimido, criticada por Paulo Freire e a prática do ouvintismo na história da educação de pessoas surdas, criticada por Carlos Skliar. Participaram deste estudo dois sujeitos surdos usuários da língua de sinais. A coleta de dados foi feita por meio de entrevista semiestruturada em Libras, a qual foi filmada e traduzida pelas pesquisadoras para a Língua Portuguesa escrita e posterior análise. Os dados revelaram que os participantes sofreram verdadeira opressão durante o processo escolar quando vivenciaram a abordagem oralista, uma vez que a comunicação entre estudante surdo e professor ouvinte era truncada, prejudicando não só a interação, mas todo o processo de aprendizagem. Outro aspecto a ser destacado era o fato de alguns professores duvidarem da capacidade de aprendizagem dos estudantes surdos, como se a surdez, e não a falta de acesso a uma língua, limitasse esses sujeitos de aprender.