Artigo Anais XII CONAGES

ANAIS de Evento

ISSN: 2177-4781

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MARCAS DE MELANCOLIA E LOUCURA EM AS PARCEIRAS, DE LYA LUFT

Palavra-chaves: MELANCOLIA, LYA LUFT, FEMININO Comunicação Oral (CO) Mulheres, feminismos, políticas do corpo Publicado em 08 de junho de 2016

Resumo

Sabemos, pois, que o texto literário é uma representação da sociedade, trazendo consigo elementos de alguma cultura, civilização ou povo. É nessa representação social que o texto literário, no nosso caso, o romance, faz a sua leitura de uma sociedade através dos elementos representativos que são a composição de um meio social. O texto literário relata a vida urbana, corrida, situada nas grandes metrópoles, o drama das sociedades que vivem um contexto pós-guerra, a tentativa da sobrevivência cultural dos povos colonizados, a vida pacata das cidades interioranas, a simplicidade, o misticismo e os dramas do homem sertanejo, entre tantas outras representações trazidas em suas entrelinhas. Não podemos esconder também as militâncias e denúncias sociais que a literatura faz. Com uma narrativa em primeira pessoa Anelise mostra-se como uma personagem trajada nos moldes modernos, pois esta aparece imbuída de incertezas, melancolia e questionamentos, encontrando na solidão e no passado uma maneira descontinua de enfrentar o presente.O isolamento a solidão e até mesmo como a narrativa se estrutura, fragmentada em sete capítulos, mostra o próprio estado da personagem, incompleta buscando atar as duas pontas de sua vida através de fleches ou lances entre passado e presente, todos esses fatores vão conduzir Anelise para um estado de melancolia que em alguns momentos se confundirá com loucura. Anelise transfigura-se como uma real personagem dos romances modernos, retrato do individuo isolado e melancólico da sociedade moderna, esta que prega a realização, o sucesso e o belo em todas as áreas “modernidade é mais ou menos beleza (essa coisa inútil que esperamos ser valorizada pela civilização)” (BAUMAN,1998, p.07). A ideia de confinamento está presente em toda a trilogia da família (As parceiras 1980; A asa esquerda do Anjo, 1981 e Reunião de Família, 1982). Lida de forma inadvertida, a clausura das personagens passaria desapercebida, mas a aferição atenta revela que ela se refere à clausura da mulher a uma estrutura familiar decadente, uma vez que Lya Luft disseca as relações familiares e aponta impiedosamente as fissuras que as consomem. Para a escritora gaúcha, a família tradicional é uma instituição que aprisiona, sufoca o indivíduo. A loucura de suas personagens representaria a fuga.

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