Artigo Anais VII ENALIC

ANAIS de Evento

ISSN: 2526-3234

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CONCEPÇÕES DOS ALUNOS JOVENS E ADULTOS SOBRE O ENSINO DA MATEMÁTICA

Resumo

CONCEPÇÕES DOS ALUNOS JOVENS E ADULTOS SOBRE O ENSINO DA MATEMÁTICA Fernanda da Silva Alves/nandacnp5@gmail.com/Instituto Federal de Mato Grosso Campus Campo Novo do Parecis Vera Cristina de Quadros/Instituto Federal de Mato Grosso Campus Campo Novo do Parecis Geraldo Bastos Ribeiro/Instituto Federal de Mato Grosso Campus Campo Novo do Parecis Eixo Temático: Educação, diversidade e Inclusão social Resumo O objetivo deste trabalho é socializar a pesquisa empírica realizada como Trabalho de Conclusão de Curso da Licenciatura em Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Campus Campo Novo do Parecis (IFMT/CNP). No Brasil, em pleno século XXI, infelizmente, muitas pessoas ainda vivem a experiência da exclusão escolar, da falta de condições de acesso e permanência na escola quando crianças e adolescentes. São pessoas que, jovens e/ou adultas, clamam pelo direito à educação pública de qualidade, pelo direito ao acesso, permanência e êxito escolar, como condição para sua cidadania e inclusão social e econômica. Para lhes garantir o direito à educação escolar, a Lei nº 9.394/96 trouxe mudanças significativas. Primeiro, institucionalizou a Educação de Jovens e Adultos (EJA) com uma modalidade de ensino. Segundo, garantiu sua especificidade curricular, pedagógica e política. Terceiro, que dela emanaram regulamentações para a EJA (resoluções, pareceres, decretos, orientações curriculares, formações aos docentes, etc.). Depois, em 2003, o Governo Federal criou a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, lançando o Programa Brasil Alfabetizado, que incluía três projetos, sendo um deles o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio para Jovens e Adultos (PROEJA). Independente do nível de ensino, conforme a legislação nacional vigente, a EJA tem três grandes funções: reparadora, equalizadora e qualificadora. A função reparadora diz respeito à recuperação do direito que lhes foi negado à escolarização na idade própria, possibilitando-lhes o acesso aos direitos civis. A função equalizadora refere-se a garantir permanência e êxito na escola, oportunizando equidade à inserção social. A função qualificadora significa a construção da cidadania, ou seja, a construção de sujeitos autônomos, com condições de buscar formação ao longo da vida. São funções que, se efetivadas, visam propiciar a inclusão desses cidadãos e incrementar o desenvolvimento do país. Para que tais funções sejam efetivadas, na sala de aula é necessário oportunizar a esses educandos um processo ensino-aprendizagem que respeite e considere suas histórias de vida e seus saberes. Afinal, as pessoas que buscam a EJA e o PROEJA muitas vezes se encontram desmotivadas e encontram inúmeras dificuldades no processo ensino-aprendizagem. Na disciplina de Matemática, isso se torna mais visível, por ser, frequentemente, abordada de forma linear, conceitual, abstrata e centrada apenas na resolução de exemplos e exercícios, descontextualizada da realidade de cada educando. Normalmente, suas experiências profissionais e vivências não são consideradas na escola, principalmente na Educação Matemática, de tal forma que a Matemática que usam no seu dia a dia acaba não sendo a mesma que praticam na escola, sendo uns dos motivos da desistência e evasão escolar. No entanto, na defesa de uma sociedade com justiça social, faz-se necessária uma Educação Matemática emancipadora e crítica, que seja corresponsável pela construção de seres humanos, cidadãos planetários, que percorram sua trajetória com alteridade e dignidade. Compreende-se, assim, que a Educação Matemática deve garantir uma matemática educativa como um instrumento para a construção de um mundo inclusivo e com justiça social. Implica em tomar o caminho do ensino-aprendizagem da Matemática que promova estratégias de inclusão, onde a relação educando-educador seja colaborativa, democrática e proporcione a todos os educandos a possibilidade de aprender Matemática e utilizá-la de forma criteriosa e ética. Nessa perspectiva, decidiu-se realizar uma pesquisa qualitativa de natureza interpretativa com o objetivo de dar voz a educandos jovens e adultos, investigando suas concepções sobre o ensino da Matemática. Dessa forma, o universo pesquisado foi composto por uma turma de EJA e duas turmas de PROEJA - turmas nas quais a pesquisadora realizou o estágio curricular supervisionado da Licenciatura em Matemática, no segundo semestre de 2017. Participaram 33 alunos das três turmas: 1º ano (turma K) da Escola Estadual Madre Tarcila, IV Semestre em Técnico em Administração e V Semestre em Técnico em Comércio, ambos do IFMT/CNP. Para a produção de dados, aplicou-se um questionário (com questões fechadas). Na época, dentre os participantes, 79% estavam trabalhando e 21% não. Embora todos tivessem idade para estar inseridos no mundo do trabalho, o desemprego estrutural capitalista e as exigências quanto a saberes e competências cada vez maior têm lhes impedido esse acesso. E aí a busca por qualificação, como fazer cursos profissionalizantes faz todo o sentido. Prova disso é que entre os alunos que não estavam trabalhando (7 alunos), cinco deles estavam na turma de PROEJA, onde ao mesmo tempo em que buscam concluir o Ensino Médio sairão qualificados profissionalmente, buscando mais oportunidades no mundo do trabalho. Quanto às atitudes em relação à disciplina de Matemática, os alunos expressaram suas atitudes em relação à Matemática, os dados obtidos revelaram que a maioria dos educandos tinham uma atitude positiva, considerando-a interessante, fascinante, divertida, que causa tranquilidade e/ou gosta muito. Durante o estágio, foi possível constatar seu interesse e participação nas aulas propostas. Quanto às concepções, revelaram que elas foram determinadas pelas experiências escolares que viveram quando crianças. Suas primeiras experiências de aprendizagem da Matemática escolar foram por meio do ensino tradicional. Essa representação continuava vívida e reeditada, de tal forma que mantinham atitudes positivas em relação às aulas de Matemática que fossem metodologicamente tradicionais, mas em um clima de confiança e motivação. Isso porque demonstraram a importância que atribuem a uma relação amigável, afetuosa com o professor para que consigam aprender. Coerentemente, explicitaram conceber o bom professor de Matemática como aquele que, além de amigo, detém o saber e deve repassá-lo, sabendo explicar bem, de diferentes formas, devagar, que seja exigente e dê muitos exercícios, muitos cálculos. Ao serem questionados sobre sugestões didáticas para melhorar as aulas de Matemática, a maioria propôs que o conteúdo matemático tivesse relação com sua realidade, com assuntos relacionados com o dia-a-dia. Mediante tais sugestões, infere-se que esses educandos almejam aulas que sejam mais significativas, que lhes digam mais a respeito de suas vidas e do mundo do trabalho, pois trazem consigo experiências profissionais e vivências que podem e deveriam ser consideradas no processo de ensino da Matemática. Por fim, diante dos resultados, infere-se que conhecer as concepções dos educandos da EJA e do PROEJA é mister ao trabalho docente comprometido com uma Educação Matemática emancipadora e crítica, que contribua na formação cidadã e para a inclusão desses educandos. Palavras-chave: ensino de matemática, educação de jovens e adultos, concepções, educação matemática crítica. Referências BRASIL. Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 1996. BRASIL. Proposta Curricular para a educação de jovens e adultos: segundo segmento do ensino fundamental: 5ª a 8ª série: introdução. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Vol. 3. Brasília: MEC, 2002. D'AMBROSIO, Ubiratan. Educação matemática da teoria à prática. 19 ed. São Paulo: Papirus, 2010.

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