Artigo Anais VII ENALIC

ANAIS de Evento

ISSN: 2526-3234

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PRÁTICA DE ENSINO DE CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: LIMITES E POSSIBILIDADE DE ENSINO

Resumo

PRÁTICA DE ENSINO DE CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: LIMITES E POSSIBILIDADE DE ENSINO Yarlla Santos Amorim A[1]/yarllaamorim4@gmail.com/ Universidade Regional do Cariri Débora de Menezes Dantas B[2]/Universidade Regional do Cariri Ana Maria de Souza Alves C[3]/ Universidade Regional do Cariri Tiago Araújo Silva D[4]/ Universidade Regional do Cariri Elaine Cristina Conceição de Oliveira E[5]/ Universidade Regional do Cariri Cicero Magerbio Gomes Torres F[6]/ Universidade Regional do Cariri Eixo Temático: Processo de Ensino Aprendizagem - com ênfase na inovação tecnológica, metodológica e práticas docentes. Resumo A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis de educação básica e está direcionada a jovens e adultos que não tiveram acesso ao ensino fundamental ou médio na idade certa. A cada seis meses, finaliza-se um módulo, o que equivale a um ano do ensino regular. Ao longo deste período, os alunos adquirem conhecimentos que se articulam ao seu cotidiano, os quais passam a dar sentido e significado aos mesmos, tornando-os mais familiarizados e motivados com o ensino e com a disciplina de Ciências, o que didaticamente facilitará o desenvolvimento da aprendizagem. Neste sentido, imersos na perspectiva construtivista de ensino, a pesquisa aqui delineada, compreende a aprendizagem como sendo uma relação dialética entre o sujeito e a sociedade, no qual a experiência, a realidade vivenciada pelos alunos, suas motivações para resolverem questões do cotidiano, são consideradas nevrálgicas para a compreensão das culturas em que se vivem. Nesta perspectiva, o olhar sensível sobre a aprendizagem, o entendimento do processo ativo, protagonizado pelo alunos, o desenvolvimento de aulas contextualizadas e interdisciplinares e a utilização de diversas metodologias, colaborarão para a construção do conhecimento através de múltiplos mecanismos que resultarão na mudança da realidade no qual os estudantes da EJA estão inseridos. Desta forma, a presente pesquisa tem como objetivos identificar as metodologias utilizadas pelos professores que lecionam Ciências na EJA, assim como, verificar o processo de contextualização dos conteúdos e identificar os desafios da prática de ensino no âmbito desta modalidade de ensino. Faz-se, para isso asseverar que, no bojo da perspectiva freiriana, aqui sistematizada, assegurar a necessidade dos educadores criarem possibilidades concretas para que a produção do conhecimento torne-se uma realidade, para isso, o desenvolvimento de metodologias de ensino irão requerer dos docentes um bom planejamento, métodos inovadores de ensino que possam garantir uma educação de qualidade, promovida em função da compreensão dos limites, desafios, cansaço físico e mental e dos anos distante da escola por parte dos alunos. Neste sentido, o professor configurar-se-á como mediador do conhecimento, indispensável para a aprendizagem dos alunos, colaborando assim para o desenvolvimento da autoestima e motivação dos alunos durante o processo de construção do conhecimento. Com isso, a pesquisa aqui delineada, caracteriza-se como sendo qualitativa, do tipo exploratória, cujos objetivos foram alcançados por meio de um estudo de caso. A pesquisa foi realizada em duas escolas no interior do Estado do Ceará. A escolha pelas instituições se deu em função de ambas ofertarem a modalidade EJA no período noturno aos alunos da zona rural do município onde a pesquisa foi desenvolvida. Foram aplicados dois questionários aos docentes que lecionam a disciplina de ciências nas turmas da EJA. Considerando os dados coletados e a interpretação dos resultados, pode-se perceber inicialmente que o primeiro professore possui graduação em Enfermagem e que leciona há 19 anos, sendo 16 na Educação de Jovens e Adultos. O segundo professor afirmou ser graduado em Pedagogia e Letras e possuir pós-graduação em Língua Portuguesa e trabalha como professor há 21 anos, sendo que atua na Educação de Jovens e Adultos apenas há 6 anos. Quanto as metodologias desenvolvidas pelos professores, percebeu-se que ambos utilizam das mesmas metodologias. Os professores afirmaram não possuir muitos recursos para a realização de metodologias inovadoras em suas aulas, ao tempo em que afirmam utilizar-se de "aulas expositivas, dialogadas, leitura compartilhada do livro didático e slides com leitura de imagens" ou ainda "utilizar o básico, livro, caderno, pesquisas bibliográficas, debates e trabalhos expositivos". Como pode-se perceber ambos realizam apenas aulas em sala, não utilizam de outros ambientes escolares, como o laboratório de ciência, não há realização de aulas de campo, demonstrações de práticas experimentais em sala de aula. Os resultados evidenciam que, diante de uma prática de ensino teórica, limitada a sala de aula, os alunos sentem a necessidade de uma maior contextualização, para se interessarem por estudar os conteúdos de Ciências e que sem esta articulação o estudo não lhes é interessante, haja visto os limites e desafios vividos ao longo do dia. Com isso, os conteúdos de Ciências poderiam ser ministrados de forma que permitissem abordar relatos sobre as experiências de vida dos alunos, bem como seus conhecimentos adquiridos fora da escola, oportunizando a contextualização da Ciência, uma vez que, não basta ministrar o conteúdo científico e, em seguida, mostrar uma aplicabilidade no cotidiano. Quanto aos desafios da prática de ensino os professores destacam a falta de recursos didáticos e paradidáticos como sendo o principal desafio enfrentado para a realização das aulas. Quanto a participação dos alunos nas aulas, os professores relatam o interesse e a participação na realização das aulas. A análise dos dados traduz que, neste espaço, a prática de ensino de Ciências na EJA se configura de forma teórica, muito embora os desafios sejam inúmeros. Percebe-se iniciativas de adaptação para realização das aulas, muito embora o desenvolvimento de aulas em espaços, tais como, museus, parques, reservas ambientais, hortas são de suma importância para a construção e significação do conhecimento. Todavia, os desafios aumentam quando o professor atuar em uma área diferente de sua formação inicial, haja visto que os professores, participantes da pesquisa, não possuírem formação em Licenciatura em Ciências Biológicas. Desta forma, conclui-se, que o Ensino de Ciências na EJA necessita de metodologias diversificadas, haja visto configurar-se, em sua maior dimensão, no contexto do ensino tradicional desprovido de inovação e contextualização. É necessário investir na formação inicial e continuada dos professores que lecionam ou lecionarão neste nível de ensino, por compreender que esses investimentos trará uma maior qualidade para o ensino, desenvolvimento da autonomia dos alunos tendo em vista a mobilização destes para intervir no contexto social no qual estão inseridos. Deste modo, investir com qualidade na formação inicial e continuada para todos e todas, professores e professoras, é urgente, necessária e imprescindível. Palavras - chave: Metodologias, Ensino de Ciências, EJA, Ensino. Referências ANDRADE M. L. F; MASSABNI, V. G. O desenvolvimento de atividades práticas na escola: um desafio para os professores de ciências. Ciências & educação. Bauru, 2011, Vol.17 n.4, p.835-854. DUARTE, T. D.; ALMEIDA, F. C. S.; ARRUDA, R. M.; CAMPOS, M. G.; MACHADO, N. G. Ensino de ciências no EJA: Relato de uma experiência Didática, Mato Grosso, Cuiabá, 2014. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 2 ed. São Paulo: Paz e terra, 1997. p.165. SILVA, P.L; ARAÚJO, A.V. As metodologias utilizadas por profissionais da EJA: uma reflexão a partir do estagio supervisionado III. In: X SIMPÓSIO LINGAGENS E IDENTIDADES DA/ NA AMAZÔNIA SUL- OCIDENTAL, 2016, Acre. Anais...Acre, 2016. VYGOTSKY, L. O teórico do ensino como processo social. Rev. Nova Escola: Grandes Pensadores, n.19, p.92-94, 2008.

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