Resumo Trabalho

CORPO NEGRO NA ESCOLA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES PARA A CULTURA CORPORAL

Autor(es): THIAGO BATISTA COSTA , CRISTIANO ISRAEL CAETANO, JOSÉ FRANCISO LÓPEZ-GIL, FERNANDO RENATO CAVICHIOLLI

O corpo, sede de signos sociais que expressa cultura e se constitui como fruto de uma interaÇÃo de natureza e de cultura É foco principal da pesquisa que aqui tecemos. Evidenciamos a preocupaÇÃo com a adolescÊncia por ser essa considerada como um momento constituinte do indivÍduo, uma reconstruÇÃo da imagem de si, assim como de seu sentido no cÍrculo social. O corpo estÁ inserido dentro de um jogo de dominaÇÃo e submissÕes presente em toda a rede social, que o torna depositÁrio de marcas e de sinais que nele se inscrevem de acordo com as efetividades desses embates, que por sua vez tÊm na corporalidade seu campo de disputa. O objetivo deste trabalho É, analisar o adolescente negro e seu corpo no contexto escolar, pois no mundo branco, o homem de cor encontra dificuldades na elaboraÇÃo do seu reconhecimento corporal. É aprisionado pela cor de sua pele e como objetificaÇÃo É tornado coisa em funÇÃo da cor de sua pele, que faz o indivÍduo querer se afastar dele mesmo (FANON, 2008). A base metodolÓgica serÁ os Estudos Culturais no currÍculo da EducaÇÃo FÍsica, que tem um papel decisivo na construÇÃo de identidade pois, suas prÁticas e sistemas simbÓlicos levam os sujeitos a assumirem determinadas posiÇÕes, valorizando a diversidade e questionando a prÓpria construÇÃo do diferente. Na tentativa de entender as questÕes do corpo no contexto escolar, nas aulas de EducaÇÃo FÍsica, e como suas prÁticas contribuem na construÇÃo e ressignificaÇÃo da identidade dos estudantes, buscaremos balizar nos Estudos Culturais a discussÃo sobre o currÍculo, pois eles retificam seu papel na construÇÃo de identidade. Entendemos o currÍculo como um territÓrio de disputa em que diversos grupos atuam para validar conhecimentos, sendo assim, ao promover o contato com determinadas culturas, o currÍculo, alÉm de propiciar o acesso e uma gradativa compreensÃo dos conteÚdos veiculados, interferem nas formas de interpretar o mundo. No que se refere À EducaÇÃo FÍsica e seu currÍculo, acreditamos que no Brasil ela nÃo pode ser entendida senÃo por meio de sua histÓria, atravÉs dos incessantes movimentos de transformaÇÃo no contexto social, polÍtico, econÔmico e cultural em que se desenvolveu a prÓpria sociedade brasileira. A construÇÃo histÓrica da EducaÇÃo FÍsica no Brasil, traz que os mÉtodos francÊs e sueco de ginÁstica, difundidos no paÍs, foram eficazes para os ideais de corpo mecÂnico e disciplinado. Juntamente com a esportivizaÇÃo, que abraÇava a ideia de superioridade branca, apoiada na imagem helÊnica corporal mitologicamente ambicionada. Deste modo, concluÍmos, que a histÓria da EducaÇÃo FÍsica aponta para um distanciamento do corpo negro, na medida em que o corpo idealizado pela EducaÇÃo FÍsica partiu da constituiÇÃo corporal dos gregos, portanto de um corpo branco. Desta maneira, analisaremos a EducaÇÃo FÍsica À luz pÓs-estruturalista, pois favorece a participaÇÃo de todas as tradiÇÕes culturais, todas as vozes podem ser representadas.

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