Resumo Trabalho

ESTÁGIO SUPERVISIONADO E SUAS REPRESENTAÇÕES: UM ESTUDO COM LICENCIANDOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Autor(es): CÉLIA POLATI, CRISTIANO ISRAEL CAETANO, JOSÉ FRANCISO LÓPEZ-GIL, FERNANDO RENATO CAVICHIOLLI, DENIS GIOVANI MONTEIRO NAIFF, JOSÉ HENRIQUE

O EstÁgio Curricular Supervisionado (ECS) se faz importante na formaÇÃo inicial por propiciar a articulaÇÃo teoria-prÁtica e experimentaÇÃo da docÊncia que contribuem para a construÇÃo de saberes profissionais. Estudos revelam a necessidade de mudanÇas na concepÇÃo e formato do ECS, pois É pouco valorizado em alguns contextos a partir de uma visÃo baseada no senso comum que, cristalizada, norteia atitudes negativas de seus atores. Para promover reformulaÇÕes no ECS torna-se relevante compreender as representaÇÕes sobre a sua prÁtica e seu desenvolvimento. As RepresentaÇÕes Sociais (RS) influenciam as relaÇÕes do indivÍduo ou grupo com o meio fÍsico e social, definindo comportamentos. O objetivo deste trabalho foi identificar e analisar as RS de licenciandos em EducaÇÃo FÍsica (EF) sobre o ECS. O mÉtodo foi quantiqualitativo, envolvendo a amostra de 95 estagiÁrios com idade entre 19 a 35 anos (M=40 e F=55) do curso de Licenciatura em EF de uma universidade pÚblica do Rio de Janeiro. A coleta de dados foi realizada mediante a tÉcnica de associaÇÃo livre de palavras, em que a sua hierarquizaÇÃo foi seguida de justificaÇÃo da palavra considerada mais importante. Os dados foram analisados prototipicamente com o auxÍlio do software EVOC, permitindo identificar o provÁvel nÚcleo central e os sistemas perifÉricos das RS sobre o ECS. As justificativas foram submetidas À AnÁlise de ConteÚdo. Os resultados apontam como provÁveis elementos centrais das RS sobre o ECS: “Burocracia”, “Cansativo” e “Escola”. A burocracia exigida para a formalizaÇÃo do ECS envolve documentos, assinaturas e trÂmites que endossam uma visÃo pouco valorativa sobre o ECS, tido como mais uma obrigaÇÃo a ser cumprida na graduaÇÃo. O cansaÇo É justificado pelas atividades em horÁrio integral do curso somada a energia dispensada ao ECS, julgando-o como a etapa Árdua da formaÇÃo. O elemento “Escola” se reporta ao contexto onde o ECS É realizado, no qual os licenciandos estabelecem o contato com seu futuro campo de atuaÇÃo. A primeira periferia composta pelos elementos “Aluno”, “Aprendizado”, “ExperiÊncia”, Professor”, “PrÁtica” e “ReuniÃo”, sÃo considerados importantes nas RS por apresentarem probabilidade de compor o nÚcleo central e circunscreverem ao campo pedagÓgico do ECS, com indÍcios do reconhecimento de sua relevÂncia no processo de formaÇÃo e induÇÃo profissional. A zona de contraste trouxe os elementos “Compromisso”, “RelatÓrio”, “Responsabilidade” e “VivÊncia”, elementos que se relacionam com as experiÊncias e demandas vivenciadas no lÓcus do ECS, podendo caracterizar representaÇÕes isoladas compartilhadas por pequenos grupos ou uma complementaÇÃo da primeira periferia. As RS aqui desveladas indicam a necessidade de avaliar e, se possÍvel, amenizar a forma como os trÂmites burocrÁticos vÊm impactando os licenciandos, de modo a propiciar que os aspectos pedagÓgicos do ECS se sobreponham aos burocrÁticos e assumam sua centralidade nas RS. Este trabalho foi financiado pela CAPES.

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