Resumo Trabalho

ATIVIDADE HEMODINÂMICA DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL NO ANDAR EM VELOCIDADE HABITUAL E RÁPIDA DE JOVENS E IDOSOS.

Autor(es): VINICIUS DE BELLI, CRISTIANO ISRAEL CAETANO, JOSÉ FRANCISO LÓPEZ-GIL, FERNANDO RENATO CAVICHIOLLI, DIEGO ORCIOLI-SILVA, VICTOR SPIANDOR BERETTA, PRISCILA NÓBREGA-SOUSA, NÚBIA RIBEIRO DA CONCEIÇÃO, LILIAN TERESA BUCKEN GOBBI

O comportamento do andar é influenciado pelo processo de envelhecimento, sendo que idosos apresentam uma maior atividade cortical durante o andar. Esse aumento de atividade parece ser um mecanismo compensatório devido à perda da automaticidade do andar. Em situações mais exigentes, como o andar na velocidade rápida (AVr), os idosos aumentam ainda mais a atividade hemodinâmica do córtex pré-frontal (PFC). Ainda que, os achados anteriores demonstrem o papel do PFC durante o AVr, os estudos analisaram o andar em esteira, o que pode ser uma limitação, já que a modulação do andar é guiada externamente e não internamente. Portanto, o objetivo deste estudo foi comparar a atividade hemodinâmica do PFC durante o andar no solo em velocidade habitual (AVh) e AVr entre jovens e idosos. Participaram deste estudo 12 jovens e 15 idosos. A tarefa experimental consistiu em andar em um circuito de 26,8m de comprimento em duas condições: AVh e AVr. Cinco tentativas foram realizadas para cada condição, iniciando pelo AVh para todos os participantes. A duração de cada tentativa foi de 60s sendo 30s de repouso e 30s da tarefa. Um carpete com sensores de pressão, com frequência de 200 Hz, foi utilizado para o registro dos parâmetros espaço-temporais do andar. Um sistema portátil de espectroscopia funcional de luz próxima ao infravermelho (fNIRS) com 8 canais e frequência de 10Hz, foi posicionado na cabeça do participante para registro da atividade do PFC, de acordo com o sistema internacional 10/20. A concentração de oxihemoglobina (HbO₂) foi utilizada como marcador da atividade hemodinâmica do PFC. A análise da HbO₂ durante o andar foi dividida em dois períodos: baseline (10s, antes do início do andar) e andar, dividido em duas fases: fase inicial (15s, sendo excluídos os 5s iniciais) e fase tardia (15s, sendo excluídos os 5s finais). ANCOVAs e ANOVAs, com fator grupo e condição, foram utilizadas para análise estatística da HbO₂ e das variáveis do andar, respectivamente (p≤0,05). A velocidade do andar foi utilizada como covariável. A ANCOVA apontou efeito principal de grupo, sendo que os idosos apresentaram maior atividade do PFC esquerdo e direito nas fases inicial e tardia em comparação aos jovens. A ANOVA indicou interação para comprimento (CP; p<0.01) e velocidade do passo (VP; p=0,01), mostrando que ambos os grupos aumentaram o CP e VP durante o AVr comparado ao AVh. Ainda, no AVr, os jovens apresentaram maior CP e VP em relação aos idosos. A partir dos resultados, pode-se concluir que idosos apresentam maior atividade do PFC, resultado da perda da automaticidade do andar, quando comparados com jovens durante o andar, principalmente para o andar rápido, sugerindo que os idosos necessitam de maior atividade hemodinâmica para manter o desempenho da tarefa. Apoio: FAPESP 2017/23476-1; CNPq 309045/2017-7 e CAPES Código 001.

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