A sociedade brasileira fundou-se de forma violenta com o processo de colonização portuguesa que escravizou povos indígenas e realizou o tráfico transatlântico e o escravismo criminoso de quatro milhões de homens, mulheres e crianças negras. Ao realizar uma abolição do escravismo que não deu aviso prévio, não pagou indenizações pelos anos de trabalho no eito, não distribuiu terras e sementes para que os povos africanos e afrodescendentes pudessem prover a vida com justiça, igualdade e dignidade depois de décadas de trabalho forçado e desumanizado.
Dessa forma, as desigualdades sociais e étnico – raciais geradas pós escravização não foram sanadas e persistem no Brasil sob a denúncia do movimento social negro do racismo estrutural aqui praticado e sob a reivindicação para que o Estado brasileiro institua políticas públicas racialmente equitativas. Essas demandas dos ativistas, homens e mulheres negros e negras e indígenas, tem levado à promulgação de leis revolucionárias, tais como a Lei 10.639/03 que orienta escolas públicas e privadas a ensinar a história e a cultura afro – brasileira e africana, a lei 11.645/08 que orienta para o ensino da história e da cultura indígena e a 11.712/12 que orienta a adoção de cotas no acesso ao Ensino Superior.
Considerando que a universidade pública foi criada por uma elite para atender aos interesses da própria elite, em sua maioria, branca, masculina, cristã, europeizante, o acesso de pessoas indígenas, pretas, pobres, periféricas aos espaços acadêmicos tem contribuindo para a produção de conhecimentos científicos construídos sob novas bases e considerando a diversidade como a principal e rica característica dos seres humanos marcando o início, no contexto da sociedade brasileira, da necessidade de revermos modelos comportamentais pautados no racismo estrutural praticado, visando à superação dessas práticas seculares que não condizem com um Estado e com indivíduos que se autoproclamam de civilizados.
Mudanças necessárias e significativas têm ocorrido nessa estrutura educativa brasileira produtora de desigualdades, transformando a discriminação em valorização e reconhecimento da pluralidade étnico-racial e efetivando-se como um mecanismo de controle e de respeito aos direitos humanos e à democracia brasileira. Nesse sentido, o CONEDU – XI Congresso Nacional de Educação, com o tema: Fazer educação a partir das margens: compromissos formativos, ocorrido de 03 a 05 de outubro de 2025, na cidade de Olinda – PE, constituiu-se em um grande sucesso de público e no que diz respeito ao número de trabalhos inscritos e apresentados no GT 06 cujo objetivo contemplou: “
Apresentar os estudos sobre as políticas de ações afirmativas; a construção de uma educação antirracista; a formação de professores, o processo político-pedagógico e o ensino de História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena nos currículos da escola básica; a inclusão social, a diversidade, a pluralidade e a cidadania no sistema educacional; a valorização e a efetivação da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena; as implicações político-pedagógicas da educação das relações étnico-raciais na prática pedagógica.”
Nesse E-book são apresentados dezenas de artigos de qualidade científica, técnica e compromissados com a transformação da sociedade brasileira, sob a ótica das relações sociais, educativas e étnico – raciais oferecendo subsídios para um maior aprofundamento teórico sobre os processos de epistemicídio acadêmico, brancocentrismo, racismos estrutural e antirracismos, educação das relações sociais e étnico-raciais, disponibilizado aos formuladores e formuladoras de políticas públicas para a educação no Brasil e para os professores e professoras das instituições públicas e privadas de ensino no âmbito da federação, do estado e do município que acessem essa produção escrita.
É um rico material educativo que contribui na discussão, na imersão e na construção de práticas sociais e educativas pautadas na educação das relações étnico-raciais para melhoria da nossa prática pedagógica, do relacionamento conosco mesmo, com o outro e a outra e com nossas origens, nossas identidades, nosso corpo e nossa cor de pele no cotidiano da vida em sociedade e nos sistemas públicos e privados de ensino no Brasil colaborando para que os professores e professoras possam elaborar táticas e estratégias didáticas que contemplem a complexidade da diversidade de etnias e culturas do povo brasileiro.