Resumo Trabalho

CORPOS EM MOVIMENTO: A REPRESENTAÇÃO DO JANGADEIRO CEARENSE NAS TELAS DE RAIMUNDO CELA (1942-1943).

Autor(es): RAQUEL LOPES DA SILVA e orientado por PROFª DRA. BERENICE ABREU DE CASTRO NEVES

O trabalho aqui apresentado é resultado da pesquisa inicialmente desenvolvida no projeto de Iniciação Científica, intitulado “Os jangadeiros do Ceará: vida, trabalho e lutas”, vinculado ao programa de Iniciação Científica da Universidade Estadual do Ceará/ FUNCAP, no período de 2016-2017 e que deu origem ao projeto de monografia a ser apresentado para conclusão do curso de História desta mesma universidade. A partir das obras Vencendo o escarcéu (1942) e A virada (1943) de Raimundo Brandão Cela (1890-1954), buscamos compreender como a imagem do jangadeiro cearense enquanto trabalhador do mar foi construída em suas telas. Observamos nas obras de Cela, um interesse pela temática das paisagens litorâneas, mas que também é acompanhado pelo interesse no jangadeiro, sujeito desse ambiente litoral e que nos anos iniciais da década de 40, ganhou notoriedade com o “raid da Jangada São Pedro”, empreendido por quatro jangadeiros que viajaram ao Rio de Janeiro para reivindicar, junto ao presidente Getúlio Vargas direitos trabalhistas no Estado Novo. Na década de 40, o mundo assistia a Segunda Guerra Mundial e o Brasil vivia uma ditadura civil militar. No Ceará, os reflexos do regime ditatorial imposto também foram sentidos, através da repressão que tratava de por fim as opiniões contrárias ao Estado Novo, como por exemplo, o movimento estudantil. Assim, no ano de 1943, o “I Salão de Abril”, organizado pela União Estadual dos Estudantes (UEE), surge como forma de expor essas opiniões através da arte. É nesse contexto, que as obras aqui analisadas foram produzidas por Raimundo Cela. É a partir do conceito de representação que nos propomos a analisar a construção desse trabalhador do mar nas obras do artista. Partindo desse pressuposto, entendemos que o jangadeiro retratado por Cela na tela Vencendo o escarcéu, por exemplo, é um homem forte, representado pelos músculos retesados e a fisionomia dos pescadores ao puxar as cordas na tentativa de direcionar a vela da jangada, assim, como também é notória a habilidade do mestre, que em pé, rema tentando vencer o mar bravio. Em todas as obras analisadas, consideramos que a técnica de imprimir movimento aos quadros faz com que o público que o observa consiga sentir a emoção do trabalho desenvolvido pelo jangadeiro.

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