Resumo Trabalho

LINCHAMENTOS E RACISMO

Autor(es): FLAVIANNE DAMASCENO MAIA CAMPELO

O presente trabalho trata de analisar a relação dos linchamentos como forma de genocídio de uma população determinada, ou seja, masculina, jovem e negra da periferia da cidade de Fortaleza/Ce. Os casos de linchamentos ocorridos na cidade de Fortaleza, vêm sendo tratados pela imprensa internacional com uma “Epidemia de linchamentos no Brasil”. As reportagens não se referem a cor da pele da vítima, transparecendo se tratar de um ato de se fazer justiça com as próprias mãos, uma vingança, como reação a violência cotidiana que as populações dos centros urbanos enfrentam, porém se demonstrará como esses linchamentos têm um viés relacionado à raça. No Brasil permaneceu o mito da “Democracia Racial”, até o Projeto Unesco, nos anos 50, que se propôs compreender como se deu esse fenômeno de integração de todas as etnias, pretendendo apresentar ao mundo essa experiência singular e bem-sucedida. Entretanto, esses estudos patrocinados pela Unesco, tornou-se um momento de ruptura com a utopia da integração entre brancos e negros no país. Portanto, a partir do fenômeno social do linchamento, que se encontra mais acessível à compreensão, pretende-se localizar o racismo como elemento estrutural da sociedade brasileira. Ressalte-se que o linchamento é uma ação coletiva e ritualizada, de indivíduos que na maioria dos casos não possuem nenhuma relação com a vítima ou acusado de um crime, e mesmo sem nenhuma organização anterior, perseguem o mesmo objetivo de eliminar a conduta criminosa por meio do corpo do acusado. A metodologia aplicada à pesquisa é o estudo de caso e uma etnografia nas redes sociais, especialmente o Facebook, onde se fez um levantamento por nove meses, desde dezembro de 2016 até agosto de 2017, sobre as notícias de linchamentos em Fortaleza os comentários dos internautas. O estudo de caso trata de dois casos de tentativas de linchamentos, onde foram entrevistados alguns dos participantes e uma das vítimas, relacionando ao discurso de ódio que permeia as redes sociais, principalmente o Facebook, sobre a máxima do “bandido bom é bandido morto”. Mas, que bandido?

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