Resumo Trabalho

FAREWELL: O ÚLTIMO CANTO DO POETA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Autor(es): LUCIANA BESSA SILVA

O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) sempre travou uma luta inglória com as palavras. Consciente de seu duro ofício de se exprimir, rechaçou veementemente as glórias fáceis, principalmente, acerca da poesia da qual afirmava ser um negócio de grande responsabilidade. Por isso, o homem-poeta-artista, à maneira do ourives, torceu, alteou, lapidou e burilou a poesia (palavra). Como nascer e morrer pertencem igualmente à mesma moeda, é chegada a hora de conhecer o lado misterioso, obscuro e mais triste da vida – o da despedida. Para tanto, o poeta deixou-nos registrado em Farewell (1996), seu ‘último canto’, sua última autoanálise e confissão, uma espécie de prestação de contas de sua vida literária, uma retrospectiva de sua gaucherie. A obra trata de verdades, tristezas, pessimismo, dor, sofrimento, amores doridos, reflexões, invocações, sonhos, saudades, mutilação do corpo e da alma. Em seu canto (para usar trocadilho comum ao poeta), um ninho prosaico, em Ipanema, Rio de Janeiro, uma Parker 51 e de muitas folhas em branco, o Midas da poesia registrou suas venturas com sabor de desventuras, em uma multiplicidade de temas: o amor, a família, a terra natal, a saudade, morte, o humor, o trágico, o pessimismo, o efêmero, o gauche. Nossa pesquisa objetiva refletir sobre a temática do tempo e da morte a partir de Farewell. Para tanto, recorreremos dos estudos teóricos de críticos como Silviano Santiago, Marlene de Castro Correia, Affonso Romano de Sant’Anna, Guilherme Merquior, Gilberto Mendonça Teles, Carlos Augusto Viana, Linhares Filho, dentre outros. Adotaremos o método interpretativo ou hermenêutico, a partir do intrínseco literário, estabelecendo, ainda, uma relação intratextual com outras obras do autor. Farewell, com os temas e as dores do passado, é a obra de despedida de que viveu e morreu com o sentimento gauche.

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