Resumo Trabalho

Autor(es): JOSÉ SÉRGIO PEREIRA, FRANCISCO EGBERTO DE MELO e orientado por FRANCISCO EGBERTO DE MELO e orientado por FRANCISCO EGBERTO DE MELO

A proposta desta comunicação resulta de um estudo reflexivo aportado no Mestrado Profissional em História da URCA sobre a “hora do intervalo” em escolas da Educação Básica, tendo como base os discentes da Escola de Ensino Médio Virgílio Távora, na cidade de Barbalha, buscando entender como os estudantes compreendem a relação entre o intervalo e as temporalidades em sala de aula. Neste sentido, problematizar o tempo no ensino de História a partir da seguinte pergunta: analisando a “hora do intervalo” em oposição complementar a “hora da aula”, como é possível compreender a percepção de tempo e consciência históricos no ensino de História, a partir da percepção dos discentes em suas apropriações e significações? Em tal empreitada, dialogamos com o historiador Reinhart Koselleck sobre a temporalidade, utilizando os conceitos de “espaço de experiência” e “horizonte de expectativa”, para compreender a enigmática relação entre as três instâncias convencionadas da temporalidade: Passado, Presente e Futuro. E também com o antropólogo E. Leach que se utiliza do conceito de noção pendular do tempo para melhor compreendê-lo. A forma como se dá a apropriação epistemológica dos conceitos de “espaço de experiência” e “horizonte de expectativa” em relação à noção pendular de tempo de Leach ganha substância a partir da hipótese de que se a noção pendular de tempo está relacionada aos contratastes contínuos e contrastes repetidos, a noção de mudança e/ou permanência ganharia uma sensação de continuidade ou descontinuidade a partir dos “espaços de experiências” o que consequentemente afetaria os “horizontes de expectativas” dos discentes. Partindo dessa hipótese, as alusões sobre consciência histórica veiculadas em sala de aula pelos discentes encontram seus arquétipos, seu substrato no momento da alternância, no momento pendular, que é onde se encontram inseridas as gramáticas verbais (intencionalidade) e as não verbais (naturalizadas/ “inconscientes”). Nesse sentido, é a partir da problemática da função social do ensino de História e os seus desafios na contemporaneidade que surge a necessidade de compreensão acerca dos usos e apropriações do tempo histórico por parte dos discentes, da forma como eles operam e significam as categorias conceituais do saber historiográfico. Um olhar a partir do não-dito do ensino no espaço escolar possibilita o entendimento de algumas lacunas e um alargamento de compreensão do ensino de História em sala de aula. A “hora do intervalo” (não-dito) sendo pensada como objeto de estudo e reflexão acerca do ensino de História contribui para uma melhor análise de como se dão os processos de apropriação de tempo histórico por parte dos discentes em sala de aula, (dito). Abre-se uma brecha para pensar de que forma o "irracional" se comunica numa espécie de hiato entre o que se diz sobre consciência histórica e o que se faz quando não se é perguntado sobre a temática. Eis a importância de se averiguar com seriedade a "hora do intervalo", pensar o intervalo como uma componente para a formação da consciência histórica dos discentes é tão importante quanto os discursos enunciados pelos mesmos quando são interpelados acerca da temática.

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