Resumo Trabalho

MATERNIDADE E IDENTIDADE FEMININA: A EXPERIÊNCIA DE MULHERES INFÉRTEIS/ESTÉREIS FRENTE AOS CONDICIONANTES SOCIAIS

Autor(es): TACIA SUANE MARTINS DOS SANTOS

Este artigo tem por objetivo apresentar parcialmente os resultados da pesquisa intitulada Habilitadas a maternar: uma visão sobre as adoções via CNA por mulheres inférteis/estéreis em Aracaju/SE, desenvolvida no âmbito da graduação do Curso de Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe no ano de 2017. Buscou-se discutir a relação da maternidade e maternagem de mulheres na condição de infértil/estéril que buscaram se realizar enquanto mães via adoção com os determinantes sociais referentes ao exercício materno imposto historicamente sobre a figura feminina. Os resultados foram obtidos através do levantamento bibliográfico, documental e da pesquisa de campo, realizada entre janeiro e outubro de 2017. O estudo evidenciou que a responsabilidade de gerar uma criança é primordialmente associada às mulheres, desconsiderando o fato de que para o sucesso da fecundação é necessário o material genético reprodutivo de ambos os sexos, e não somente o feminino. Ao ignorar esta premissa e atribuir preliminarmente a condição de infertilidade tão somente a mulher, reafirma as posições ainda estigmatizas ocupadas pela figura feminina. Foram observadas as diversas as projeções voltadas sobre as mulheres e seus corpos como se estes devessem atender, obrigatoriamente, as demandas socialmente produzidas. A condição de infertilidade/esterilidade parece ser vista pelo viés da cura, onde o corpo feminino, neste caso, necessita de ajustes para adequar-se à realidade programada. O diagnóstico de infertilidade/esterilidade gera reações conflitantes entre as mulheres e desperta, em muitos casos, noções de inferioridade sobre si ao perceberem que a realização da maternidade não está em seu poder, levando-as a sentirem-se socialmente impotente pelo fato de não dispor de condições biológicas de reprodução. Nota-se, contudo, que apesar dos avanços conquistados pela luta libertária feminina, ainda há uma pressão sociocultural que impõe às mulheres a condição do papel de mãe, associado as suas imprecisões quanto à apropriação da significação social de maternagem e maternidade.

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