Resumo Trabalho

ANÁLISE DA PASSABILIDADE COMO MECANISMO DE PROTEÇÃO AS EXPERIÊNCIAS TRANS

Autor(es): SARA GOMES DE LUCENA e orientado por RAÚL BALBUENA

Esse trabalho faz parte da minha dissertação de mestrado. A passividade traduz como uma pessoa transgênera pode ser lida como pessoa não-trans em sua forma física, roupa, estilo de falar, gesticular e reproduzir de acordo com os atuais estereótipos de gênero em nosso universo ocidental. "Passar" é o mesmo que ser reconhecido na vida cotidiana como alguém que está de acordo com as normas de gênero. Passar, para algumas pessoas trans, é um aspecto fundamental, seja para a prevenção da violência ou para a satisfação pessoal. Com o objetivo de desconstruir a narrativa dos corpos naturalizados nas práticas culturais, proponho refletir sobre a regulamentação dos corpos transgêneros e dissidentes na relação das normas de gênero vigentes na sociedade hegemônica-ocidental-colonial. Tomo como ponto central as categorias de passividade e cisnormatividad na interlocução com os processos de transição de gênero. Procuro entender sobre as forças normativas da regulação corporal usando diferentes ferramentas tecnológicas, como hormônios (para homens trans) e protese de mama (para mulheres trans) que são mecanismos que atuam nas leituras dos sujeitos de uma metodologia etnográfica. Considero a passividade como uma categoria de análise para expor as vivências e experiências de várias expressões e identidades corporais, como a passabilidade é uma exigência da cisnormativa se faz necessário apontar possíveis estratégias de re-leituras para os contextos predeterminados em nossa sociedade ocidentalizada. Esta pesquisa tem como objetivo registrar os limites dessas estratégias performativas, transferindo a crítica para a passividade cis-normativa hegemônica como a única válida e aceitável. Compreendo que a passividade é uma forma de proteção, entende-se que as pessoas trans com passabilidade estão menos expostas à violência física e simbólica porque não são reconhecidas como papéis de gênero desviantes. Finalmente, a passividade cumpriria os atributos estereotipados da legitimidade de gênero que está sendo expressa por alguém que depende de um parceiro que o identifique em enquadres binários de gênero, onde pode passar e não deixa nenhuma dúvida. A epistemologia utilizada nesta pesquisa é a transfeminista decolonial escrita desde o sul global. Por fim, busco discutir os efeitos pré-discursivos sobre os corpos que supõem destruir os significados cisnormativo compartilhados pela sociedade, trazendo caminhos que desmantelarão as reflexões sobre as normas vigentes e as relações de poder em conjunto com outros eixos da diferença social, como raça e classe.

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