Resumo Trabalho

ACAUÃ CANTOU NA MATA, SERÁ QUE CHOVE? O SEMIÁRIDO NORDESTINO EM CRÔNICAS DE TEREZINHA FIGUEIREDO

CLAUDENICE DA SILVA SOUZA, LIVRAMENTO FERNANDA DE LIMA ARAÚJO

Temos lembranças aos montes, de épocas passadas, de amigos, de festas, de coisas que nos fizeram rir e chorar. No âmbito literário, elas parecem servir ao propósito de colocar no papel aquilo que desejamos que seja lembrado – ou esquecido – como também para satisfazer nossa vontade de relembrar através da leitura. Por isso, nós nordestinos não deixamos de expor vez em outra na poesia, no cordel, no conto ou na música memórias do nosso sertão. É exatamente esse tecido subjetivo, sensível e de cunho memorialístico que encontramos no livro intitulado Crônicas da paraibana Terezinha Figueiredo. Dentre o universo de lembranças da sertaneja, estão muitos escritos que se relacionam com a chuva, a aridez, a cultura e o modo de ser do nordestino destemido em busca de sobrevivência perante os sofrimentos de viver em um clima que, por vezes, parece não querer a felicidade do homem do campo. É nas crônicas em primeira pessoa que vislumbramos, a partir do olhar da autora, um pouco do mundo e da luta das pessoas que esperam pela chuva, que têm crendices e que nunca perdem a esperança na lavoura, pessoas simples e lutadoras que caracterizam a nossa cultura e o nosso jeito de viver peculiarmente no semiárido brasileiro. Dessa forma, temos como intuito tecer uma análise reflexiva de algumas crônicas de Terezinha como, por exemplo, Diálogo, Amanhecer campestre e Reflexões, que podem fortalecer as representações que temos do nordeste na literatura paraibana. Pretendemos, portanto, buscar compreender um pouco do modo como a autora construiu suas crônicas e também a forma como são apresentados os personagens e suas relações com o campo e mais especificamente com o semiárido no qual vivem. Para nossa reflexão sobre a literatura de um modo geral dialogamos um pouco com Castagnino (1969); para nossas considerações sobre o gênero crônica, que neste trabalho é estudado, evocamos Portella (2002) e em relação a algumas informações acerca do semiárido do Brasil citamos Prado (2003) e Sáber (1990).

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