Apresentação

Anais I CONIDIS


Refletir sobre o Semiárido brasileiro implica em evidenciar características de cada espaço e os usos que as populações fazem dos recursos disponíveis. Novas visões de riquezas e patrimônio naturais podem resultar em agregação de valores econômico, político, sociocultural e tecnológico, e também em maior estímulo à pesquisa e ao conhecimento científico da diversidade. A construção desses novos saberes científicos, entrelaçados com as experiências populares contribui para a valorização do Semiárido, e para fortalecer sua identidade quanto à diversidade ambiental e humana, com o olhar voltado às potencialidades conhecidas e aquelas ainda a ser exploradas, de forma sustentável, com impactos diretos na melhoria da qualidade de vida de seus povos. Há, portanto, a necessidade de organizar, aprofundar e sistematizar o conhecimento da região, buscando conhecer e reconhecer as suas relações e estruturas subjacentes, construindo sua imagem subjetiva, objetiva, prospectiva e projetiva, orientando as ações para uma dimensão que permita aprender o Semiárido. Nessa dimensão a região torna-se o objeto da aprendizagem. Aprende-se a ler criticamente a região como um território, a vivenciá-la e a participar de produção sociocultural, procurando avançar sobre uma nova visão integrada às interdependências estabelecidas entre a cidade e o campo, intrínsecas ao processo de desenvolvimento humano em seu contexto regional. Trata-se de um processo educativo, de ressignificação da própria cidadania, tendo como alternativa a constituição e o fortalecimento de atores educacionais articulados em rede, orientados à construção de uma nova realidade, ao estabelecimento de um processo de construção coletiva de elevados padrões de qualidade de vida. Necessita, para tanto, que governo e sociedade, irmanados nessa ação educativa, venham a aprender no Semiárido, de forma proativa. Nessa dimensão o Semiárido é visto como contexto e continente dos atores educacionais. A ação proativa dá-se a partir do potencial e dinâmica que uma articulação de ações em rede desses atores educacionais, formais e informais, interatuantes na região, visto que propiciam a sinergia entre elas, particularmente nos âmbitos científico e cultural. Assim, o Semiárido brasileiro, que em sua expressão sociocultural-educacional estabelecida na região de forma incidental, assume o seu papel de agente condutor e transformador do processo de desenvolvimento humano, e da qualidade de vida de sua população, passa a constituir-se como um ator educacional informal, levando a sociedade, o governo e os atores envolvidos a aprender com o Semiárido.