Resumo Trabalho

INSERÇÃO DA AURICULOTERAPIA NA FORMAÇÃO DO RESIDENTE DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE: UM OLHAR PELA PERSPECTIVA DAS RACIONALIDADES MÉDICAS

Autor(es): AARÃO CARAJÁS DIAS DOS SANTOS, ISABEL BRANDAO CORREIA, LUANNA PAULA COIMBRA SANCHES, MARIA OLÍVIA LIMA DE MENDONÇA e orientado por RUBENS CAVALCANTI FREIRE DA SILVA

Aarão Carajás Dias dos Santos - Médico de Família e Comunidade - Preceptor do Programa de Residência de Medicina de família e Comunidade - SESAU Recife Isabel Brandão Correia - Médica de Família e Comunidade - coordenadora do Programa de Residência de Medicina de família e Comunidade - SESAU Recife Luanna Paula Coimbra Sanches - Enfermeira do Trabalho - Recife Maria Olívia Lima de Mendonça- Médica da ESF de Camaragibe - Pernambuco A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) faz parte de um grupo denominado de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), como designa o Ministério da Saúde. Sua inclusão no Sistema Unico de Saúde (SUS) é apropriada aos diversos níveis de atenção à saúde, mas pode ter maior inserção na Atenção Primária à Saúde (APS), onde o cuidado acontece de forma mais humanizada, integral e continuada. O desenvolvimento das PICS nos Sistemas de Saúde públicos universais é favorável e seu crescimento é incontestável nas últimas décadas. A auriculoterapia se constitui em um campo dessas práticas. A visão holística que envolve a prática da auriculoterapia é um fator que se aproxima das atividades e pensamentos que a Medicina de Família e Comunidade (MFC) insere na Atenção Primária à Saúde (APS), pois, ao apresentar um modelo de compreensão do sujeito doente e do processo terapêutico mais amplo, a MFC fornece um ambiente potencialmente emancipatório e com menos iatrogenias associadas. Outro instrumento que a especialidade utiliza chama-se currículo baseado em competências. Foi criado pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e avalia as competências a serem atingidas pelos residentes organizando-as nas seguinte categorias: pré-requisito, essenciais, desejáveis e avançadas. Esse instrumento já apresenta as PICS dentro do contexto das competências a serem atingidas pelo futuro médico de família e comunidade. Soma-se a essa dinâmica de crescimento das PICS o surgimento da categoria Racionalidades Médicas (RM) que engloba a Biomedicina como mais um sistema de cuidado, dentre vários existentes, o que fornece uma nova perspectiva de abordagem contra-hegemônica perante ao sistema de saúde vigente. As RM comparam vários sistemas médicos complexos, estruturando os olhares de interpretação a partir das dimensões da morfologia humana, dinâmica vital, sistema de diagnósticos, sistema de intervenções terapêuticas, doutrina médica e uma cosmologia que os fundamenta. Essa forma de organização permite variadas imersões problematizadoras. Por entender a necessidade desse diálogo com outras RM, o programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da Prefeitura do Recife organizou um processo educativo em auriculoterapia para os seus residentes. Dentre os objetivos do espaço formativo estavam: entender o conceito de Racionalidades Médicas; compreender as categorias das Racionalidades Biomédica e Medicina Tradicional Chinesa; reconhecer a anatomia da orelha; refletir criticamente sobre o uso da auriculoterapia; aplicar a auriculoterapia a partir dos olhares da reflexologia, da Biomedicina e da Racionalidade da MTC. O espaço durou aproximadamente 3 horas e trabalhou os objetivos através de metodologias ativas de ensino para problematizarem as questões referentes aos conceitos trazidos pelas RM. Após isto, os residentes foram divididos em duplas para irem acompanhando e exercitando entre si os saberes que iam sendo apresentados. Ora a reflexão ocorria através da apresentação dos casos clínicos, ora ocorria através das experiências trazidas pelo grupo. A avaliação do espaço foi muito positiva e demonstrou o quanto a APS possui a potencialidade de dialogar construtivamente com o universo das PICS.

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