Resumo Trabalho

RECONHECIMENTO DE OBJETOS A LONGO PRAZO EM IDOSOS

CAMILA TERESA PONCE DE LEON MENDONÇA TAGLIAFERRO, MARIA JUSSARA DA SILVA , WANNICE PEREIRA XAVIER, MARIA CLARA OLIVEIRA REGO BARROS e orientado por CYNTIA DIÓGENES FERRREIRA e orientado por CYNTIA DIÓGENES FERRREIRA

A memória é um processo neurocognitivo básico que contribui para a manutenção do senso de continuidade ao longo da vida. Contudo as modalidades sensoriais tradicionalmente encontradas em estudos sobre memória são a visual e a auditiva. Nos últimos anos o sistema háptico tem ganhado grande atenção, uma modalidade do sistema sensorial tátil. Assim, é de grande importância o estudo sobre a memória háptica em idosos, a fim de demonstrar como o processo de envelhecimento pode afetar a taxa de esquecimento de informações manipuladas ativamente pelas mãos. Com base no exposto, o objetivo da pesquisa foi avaliar a memória háptica e visual processadas a longo prazo, no intervalo de um dia, mediante a tarefa de reconhecimento de objetos reais, em idosos sem patologias associadas. Participaram da pesquisa 26 idosos de ambos os sexos, com média de idade de 67,92 anos. Os instrumentos de avaliação da amostra aplicados foram: Questionário composto por questões sócio-demográficas, a Escala de Avaliação de Doenças Cumulativas (CIRST), a Escala de Depressão Geriátrica (GDS), o Questionário de Atividades Funcionais (QAF) e o Mini Examedo Estado Mental (MEEM). Para avaliação da tarefa de reconhecimento de objetos foram utilizados uma caixa de madeira específica foi utilizada na avaliação de estímulos hápticos, com 50 cm de altura e 40 cm de comprimento, possuindo duas aberturas frontais para que as mãos pudessem ser introduzidas até o interior da caixa, e com abertura do lado oposto ao participante; uma plataforma giratória de madeira com 40 cm de diâmetro, para a condição visual dos estímulos em diferentes ângulos. Foram utilizados 24 objetos reais, apresentados em ambas as condições háptica e visual, chamados 12 objetos-alvos e 12 objetos distratores. Na condição háptica, os participantes introduziram ambas as mãos na caixa através dos orifícios frontais, e o experimentador, que se encontrava no lado oposto da caixa, entregava cada objeto nas mãos dos participantes. Na condição visual, os objetos eram deixados pelo experimentador na plataforma e o participante era livre para tocar apenas na plataforma e girá-la para melhor visualização, não podendo tocar no objeto. Em ambas as condições, os objetos eram expostos por 5 segundos e trocados pelo experimentador em intervalos de 1 segundo. Nessa fase de estudo, cada participante teve acesso aos 12 estímulos-alvos. Após 1 dias eram apresentados os 12 estímulos que tinham sido explorados na fase de estudo (alvos), com o acréscimo de mais 12 estímulos novos. A análise do índice de acurácia (Pr), que integra os acertos e falsos alarmes, os dados tiveram diferenças significativas entre as condições háptica e visual (U=46,0, p=0,046) favorecendo a condição háptica (Md=0,83) em detrimento da condição visual (Md = 0,7). Dessa forma, os resultados sugerem que, ao longo do tempo, a condição háptica favorece o reconhecimento dos objetos. Esse estudo contribuiu para o preenchimento de lacunas de pesquisas anteriores, realizando a avaliação da memória háptica e visual, incluindo uma faixa etária ainda pouco explorada (de idosos), no intuito de elucidar como a informação é perdida em cada condição.

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