Resumo Trabalho

CAPACIDADE FUNCIONAL EM IDOSOS CADASTRADOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DO MUNICÍPIO DE RECIFE

GLEICY KARINE NASCIMENTO DE ARAUJO, RUTE COSTA RÉGIS DE SOUSA, YANNE LIRA SOBEL, JÚLIA MARIA DE SOUZA CAVALCANTE e orientado por RAFAELLA QUEIROGA SOUTO e orientado por RAFAELLA QUEIROGA SOUTO

Introdução: A capacidade funcional pode ser definida como a habilidade em planejar e desempenhar as atividades da vida diária necessárias para uma vida independente e que permitem o autocuidado. Este fator vem sendo bastante relevante na avaliação do grau de saúde dos idosos na comunidade. A avaliação da capacidade funcional é uma tentativa de mensurar os níveis do desempenho do idoso na execução de atividades em distintas áreas; como nas interações sociais e nas atividades de lazer. A diminuição da capacidade de realizar as atividades diárias está relacionada a predisposição de fragilidade, violência, institucionalização, que podem trazer consequências ao longo da vida, inclusive podendo acarretar a morte. Diante desse contexto, o presente estudo objetivou caracterizar o perfil socioeconômico e estimar o nível da capacidade funcional. Metodologia: Tratou-se de um estudo quantitativo descritivo, do tipo transversal, realizado no município de Recife-PE no período de 2016 a 2017. A amostra foi constituída por 159 idosos. Para a coleta de dados, foram utilizados o questionário socioeconômico do Brazil Old Age Shedule; o índice de Katz; a escala de Lawton e Brody; questões adaptadas para as atividades avançadas da vida diária. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, CAEE: 51557415.9.0000.5208. Resultados e discussão: Na amostra constituída por 159 participantes, observou-se que 53,5% (n=85) dos idosos apresentavam faixa etária entre 60-70, 76,7% (n=122) eram do sexo feminino, 66,0% (n=105) eram viúvos, divorciados, ou nunca casaram, 66,7% (n=106) sabiam ler e escrever, 79,2% (n=126) não trabalhavam e 71,1% (n=113) recebiam até 1 salário mínimo. Em relação ao gênero, em nosso estudo o predomínio foi do sexo feminino, corroborando com o achado de outros estudos em que 67,9% (n=91) eram mulheres. Essa feminização pode ser fundamentada pelo fato de ocorrer uma maior exposição dos homens a fatores como o tabagismo e alcoolismo que interferem no surgimento e/ou agravo de doenças. A associação entre idade e capacidade funcional é confirmada em um estudo ao observar os 250 idosos com faixa etária entre 60 e 70 anos, no qual, todos apresentaram nenhuma ou alterações leves da capacidade funcional. Este é um resultado relevante, pois permite a reflexão de que o idoso tem condições funcionais adequadas para manter-se de forma autônoma e independente, preservando a execução das atividades cotidianas. Conclusões: O declínio da capacidade funcional foi mais evidente em idosos muito idosos, mulheres, solteiros, não alfabetizados, que não trabalhavam e com renda de até 1 salário. O decaimento funcional ocorreu de forma hierárquica das atividades, com a diminuição da execução das atividades mais complexas como as atividades avançadas ocorrendo primeiro e, por conseguinte, exibindo uma maior prevalência. Os resultados apontam a relevância da atuação da enfermagem como promotor da avaliação da capacidade funcional dos idosos, possibilitando que sua assistência possa ser elaborada levando em consideração os fatores que podem estar associados ao declínio da funcionalidade e limitações que interferem na qualidade de vida durante a senescência.

Veja o artigo completo: PDF