Resumo Trabalho

COMPORTAMENTO LOCOMOTOR DE IDOSOS COM DOENçA DE PARKINSON E NEUROLOGICAMENTE SADIOS DURANTE A FASE DE ULTRAPASSAGEM DE UM E DOIS OBSTáCULOS

DIEGO ORCIOLI-SILVA, PRISCILA NÓBREGA DE SOUSA, NÚBIA RIBEIRO DA CONCEIÇÃO, VINICIUS CAVASSANO ZAMPIER e orientado por LILIAN TERESA BUCKEN GOBBI e orientado por LILIAN TERESA BUCKEN GOBBI

Idosos com doença de Parkinson (DP) apresentam dificuldades durante a ultrapassagem de um obstáculo e, ainda, a presença de um segundo obstáculo pode gerar maiores ajustes durante o andar para ultrapassar o primeiro obstáculo. O objetivo deste estudo foi comparar o comportamento locomotor de idosos com DP e idosos neurologicamente sadios durante a fase de ultrapassagem em condições com um e dois obstáculos. Participaram do estudo 19 idosos com DP e 19 idosos sadios (GC), pareados em gênero e idade. A tarefa experimental consistiu em percorrer andando uma distância retilínea de 8 m sobre uma passarela, nas seguintes condições: andar com ultrapassagem de um obstáculo e com ultrapassagem de dois obstáculos. Os obstáculos eram de espuma com 3 cm de comprimento, 60 cm de largura e 15 cm de altura. Na condição com um obstáculo, o obstáculo foi posicionado no centro da passarela. Na condição com dois obstáculos, o segundo obstáculo foi posicionado a 108 cm do primeiro. Cada participante realizou 3 tentativas para cada condição. As variáveis cinemáticas do andar foram coletadas por meio do GAITRite® e um sistema optoeletrônico, com frequência de 200 e 100 Hz, respectivamente. Na fase de ultrapassagem foram analisados os membros de abordagem e de suporte do obstáculo. Na condição com dois obstáculos, a análise foi realizada apenas para o primeiro obstáculo. As variáveis analisadas foram o comprimento, largura, duração, fase de balanço e velocidade do passo, distância horizontal do pé para o obstáculo antes e depois da ultrapassagem do obstáculo, e distância vertical entre o pé e o obstáculo dos membros de abordagem e de suporte. Devido a distância fixa entre os obstáculos na condição com dois obstáculos, a análise de covariância (ANCOVA), com o comprimento do passo como covariável, foi utilizada para comparar as variáveis cinemáticas da fase de ultrapassagem. Além disso, as variáveis da fase de ultrapassagem que não são influenciadas pela distância fixa entre os obstáculos foram analisadas por meio de ANOVAs two-way, com fator grupo e condição, com medidas repetidas para o último fator. Ambos os grupos apresentaram menor comprimento, velocidade e distância horizontal depois do obstáculo do membro de abordagem na condição com dois obstáculos comparado à condição com um obstáculo. Em relação ao membro de suporte, na condição com dois obstáculos, os idosos apresentaram menor comprimento, fase de balanço, velocidade e distância horizontal depois do obstáculo comparado com a condição com um obstáculo. Os idosos com DP apresentaram menor distância horizontal antes do obstáculo e distância vertical do membro de abordagem em relação ao GC. Os participantes reduziram a distância vertical do membro de suporte na condição com dois obstáculos comparado à condição com um obstáculo. Pode-se concluir que a presença do segundo obstáculo durante o percurso dos idosos influencia os ajustes na ultrapassagem do primeiro obstáculo, dentre estes ajustes, a redução na distância vertical pode aumentar a probabilidade de tropeço e quedas. Ainda, independentemente da quantidade de obstáculos, os idosos com DP apresentam um comportamento mais arriscado durante a ultrapassagem de obstáculos.

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